A manhã solarenga quase faz esquecer o mau tempo que se fez sentir durante a noite, não fosse a azáfama de alguns comerciantes, bombeiros e serviços de limpeza, que, em dia de feriado nacional, trabalham para drenar caves inundadas, varrer lamas e reabrir acessos cortados.

Na zona de Benfica, uma das mais atingidas, o responsável de uma pastelaria passou a noite no estabelecimento para onde foi chamado às 22:00, depois de a água começar a entrar pelas sanitas e ter inundado a cave, onde tinha já armazenados vários produtos para o Natal, provocando estragos na ordem dos 20.000 a 30.000 euros.

“Coisas que tinha comprado para o Natal, farinha, açúcar, tinha cinco arcas cheias de produtos, azevias e essas coisas todas, foi tudo. As arcas viraram todas ao contrário, não tenho nada. E fora o material, computadores, está tudo lá em baixo, o material elétrico, tenho tudo na cave”, disse à Lusa o proprietário da pastelaria, Jacinto Marques.

Segundo o comerciante, os bombeiros, que se encontravam no local a retirar a água da cave, que chegou a atingir um metro e meio, explicaram que a água da chuva entrou pelos esgotos, inundando o estabelecimento através das casas de banho.

Já em Algés, no concelho de Oeiras, Afonso de Carvalho, empregado num restaurante, encontrava-se no estabelecimento quando, pelas 21:30 começou a chuva forte.

“A água começou a entrar e os balcões frigoríficos, tudo o que era vitrines, tombou logo tudo, partiram os vidros, está tudo partido no chão. A nossa sorte foi termos subido para o primeiro andar, ali ficámos, só por volta das 03:30, 03:45, é que os bombeiros nos tiraram de lá”, relatou à Lusa.

Também neste caso, as arcas frigoríficas estavam carregadas e os prejuízos, embora seja cedo para saber em concreto, “devem ser enormes”, disse Afonso de Carvalho.

Na mesma zona, a vitrine de uma clínica dentária partiu-se com a força da água, sendo possível ver da rua a zona da receção completamente destruída.

“Os estragos são bastantes, temos aqui a entrada com os vidros partidos e a receção totalmente destruída, temos o piso -1 totalmente alagado, ainda não conseguimos entrar lá”, disse à Lusa o técnico de manutenção Joaquim Alves.

“A força da água foi tanta que conseguiu partir a montra, um vidro grosso”, acrescentou, dizendo, porém, ter esperança de conseguir reabrir a clínica na segunda-feira.

A chuva que caiu na última noite atingiu os 80 milímetros, cerca de 63% do valor esperado para o mês de dezembro, segundo uma meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Mais de uma centena de pessoas tiveram que sair temporariamente das suas casas na sequência das fortes chuvas de quarta-feira, que atingiram sobretudo os distritos de Lisboa e Setúbal, informou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

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