Em entrevista à agência noticiosa russa Ria Novosti, o líder de Minsk revelou ter prometido à chanceler alemã em funções, Angela Merkel, durante um recente contacto telefónico, a resolução da crise na fronteira com a Polónia, onde se concentram cerca de 2.000 migrantes indocumentados que pretendem entrar na União Europeia (UE).

“Disse-lhe que tratarei de resolver esse problema antes do Ano Novo, porque precisamos. As pessoas estão a vaguear por Minsk e agora por Grodno”, região bielorrussa fronteiriça com a Polónia e onde foi aberto um improvisado centro de acolhimento para migrantes, assinalou.

Aos migrantes do Médio Oriente “que se encontram legalmente nos nossos hotéis com um visto turístico” será pedido que regressem aos seus países “porque não haverá um corredor humanitário” em direção à UE, disse Lukashenko.

O líder de Minsk assinalou ainda que mais de mil pessoas já regressaram ao Iraque a partir da Bielorrússia.

Na sua perspetiva, a crise na fronteira foi motivada pelas sanções da UE contra Minsk, e a recusa de Bruxelas em instalar campos de refugiados.

O chefe de Estado assinalou que Minsk e Bruxelas tinham um acordo de readmissão que estipulava que, caso chegassem a território da UE migrantes provenientes da Bielorrússia, Minsk teria de os readmitir e alojá-los em campos de refugiados no seu território.

Ainda segundo a sua versão, a UE “deveria construir campos e, de facto, iniciou a construção, mas de imediato parou e eu deixei de os trazer de volta”, explicou na referência a um acordo que ficou suspenso, e com o agravamento da situação após as sanções impostas a Minsk por Bruxelas.

A UE adotou sanções contra Minsk pela repressão do inédito movimento de contestação em 2020 na sequência de eleições presidenciais contestadas pela oposição, e acusa o Presidente bielorrusso de ter orquestrado a crise migratória nas fronteiras polaca e lituana.

Na mesma entrevista, Lukashenko reconheceu pela primeira vez a península da Crimeia como território da Rússia e disse prever para breve uma visita oficial.

A Crimeia foi anexada por Moscovo em março de 2014 após uma intervenção militar contra a Ucrânia e um referendo denunciado como ilegal por Kiev e os ocidentais.

O líder de Kiev acrescentou ter combinado com o Presidente Vladimir Putin uma deslocação oficial comum à Crimeia, ainda sem data marcada.

Apesar de aliado de Moscovo, Lukashenko tinha até ao momento evitado uma posição categórica a favor da Rússia na crise que a opõe desde 2014 à Ucrânia. Em 2015, em Minsk, chegou a acolher conversações de paz sobre o leste da Ucrânia, onde as forças de Kiev combatem os separatistas pró-russos, e concluídas com a assinatura de acordos de paz.

Na sequência da crise com os europeus, Lukashenko aproximou-se de Vladimir Putin, cujo apoio é decisivo para o regime bielorrusso na atual conjuntura.

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