O local escolhido foi a Praça Luís de Camões, onde, sobre a calçada, foi disposta uma carreira de papéis com a listagem de milhares de migrantes que morreram quando tentavam chegar por mar à Europa. Barquinhos de papel, simbolizando as precárias embarcações em que viajam, estavam pendurados em estendais.

Junto à estátua do poeta quinhentista, que descreveu em "Os Lusíadas" os feitos dos navegadores portugueses, amontoavam-se alguns coletes salva-vidas e revezavam-se membros da organização da iniciativa, que, ao microfone, iam enumerando o número das vítimas, a sua origem e as circunstâncias em que morreram.

Alguns transeuntes, sobretudo turistas, paravam momentaneamente e tiravam fotos às "listas de migrantes" colocadas no chão, onde se lia escrito em inglês: "Não vamos esquecer-vos".

Um dos membros da plataforma HuBB - Humans Before Borders, José Cortez, que ia abordando as pessoas que passavam, entregando um panfleto, justificou à Lusa a ação com a necessidade de "mostrar que todas as pessoas que morreram ao tentar chegar à Europa, a um porto seguro", fugindo de uma guerra ou em busca de melhores condições de vida, "são vidas humanas, não apenas números".

Para José Cortez, "os direitos humanos devem estar na base de qualquer decisão tomada pela União Europeia", que acusou de incentivar o controlo de fronteiras e "criminalizar as pessoas que tentam salvar" os migrantes, numa alusão ao voluntário português Miguel Duarte, indiciado pela justiça italiana de auxílio à imigração ilegal.

Criada em setembro de 2018, em Lisboa, a plataforma HuBB - Humans Before Borders (Humanos antes das Fronteiras, em tradução livre) visa "sensibilizar para o tratamento ilegal e desumano de migrantes e refugiados".

A rota do Mediterrâneo é a via de entrada, por mar, de migrantes da África Subsariana e do Médio Oriente na Europa.

De 2015 a 2019 morreram cerca de 16 mil migrantes no mar Mediterrâneo, segundo o projeto "Missing Migrants" (Migrantes Desaparecidos), da Organização Internacional das Migrações, que reúne dados seus, das autoridades nacionais e dos media.

Este ano já foram contabilizadas 63 mortes.

Portugal tem participado, desde 2014, em ações de resgate de migrantes no mar Egeu, no âmbito da operação europeia Poseidon, de controlo e vigilância das fronteiras gregas e externas à União Europeia e de combate ao crime transfronteiriço.

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