O Eliseu (Presidência francesa) divulgou que os dois líderes mantiveram hoje uma conversa telefónica, a poucos dias de ser assinalado o quinto aniversário da adoção do Acordo de Paris sobre o Clima, firmado na capital francesa em 12 de dezembro de 2015.

Para Macron, o diálogo mantido entre França e China foi “decisivo” para alcançar a assinatura, a preservação e a aplicação a nível internacional do documento.

Num comunicado, a Presidência francesa indicou que Macron expressou a sua satisfação em relação ao anúncio da China (país responsável por mais de um quarto das emissões globais de gases com efeito de estufa) na última Assembleia-Geral das Nações Unidas sobre a meta de alcançar a neutralidade carbónica até 2060.

Segundo o Eliseu, o chefe de Estado francês frisou a importância da cimeira virtual subordinada às questões climáticas que será coorganizada pela ONU, França e Reino Unido no próximo sábado (dia 12).

A vontade de Macron, de acordo com a nota da Presidência francesa, é que esta cimeira sirva para conhecer as medidas a que se propõem os países para reduzir as emissões globais de gases com efeito de estufa.

Também frisou que este encontro vai servir para impulsionar as ambições da comunidade internacional antes da 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP26).

A COP26, que pretendia relançar o Acordo de Paris (após o anúncio da retirada norte-americana), estava prevista para este ano em Glasgow (Escócia, Reino Unido), mas por causa da pandemia da doença covid-19, e à semelhança de outras reuniões internacionais, foi adiada e está prevista para novembro de 2021.

Na conversa com Xi Jinping, o político francês manifestou igualmente apoio à organização na cidade chinesa de Kunming da Convenção para a Biodiversidade Biológica (COP15), em maio do próximo ano, sublinhando que a Europa e a China devem ser o motor para que 2021 seja “um ano de um voluntarismo internacional renovado, mais concreto e forte” a favor da ação climática.

No plano bilateral, os dois governantes discutiram perspetivas de cooperação em setores como energia nuclear, aeronáutica, inovação, agricultura, exploração espacial e cultura.

Ao nível multilateral, Macron instou Xi Jinping a reforçar o seu compromisso, juntamente com os outros países do G20 (as 20 maiores economias do mundo), para assegurar que as ferramentas de combate à pandemia do novo coronavírus sejam consideradas como um bem público a nível mundial.

Exortou também ao envolvimento e ao compromisso de Pequim na cimeira dedicada ao financiamento da economia africana (nomeadamente sobre a moratória da dívida dos países mais pobres) que terá lugar em Paris em maio do próximo ano, bem como insistiu na necessidade de renovar as conversações para assegurar a preservação do acordo nuclear com o Irão.

Este acordo, assinado em 2015 em Viena (Áustria) entre Teerão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) e a Alemanha, visava limitar e ter uma maior vigilância do programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções internacionais.

O acordo foi posto em causa depois de os Estados Unidos (já com a administração do Presidente Donald Trump) terem decidido retirar-se dele unilateralmente, em maio de 2018, e restabelecer sanções económicas ao Irão, que os restantes signatários não conseguiram contrariar.

Por último, concluiu o Eliseu, Emmanuel Macron partilhou com o homólogo chinês a “grande preocupação” de Paris, e dos restantes Estados-membros da União Europeia (UE), em relação à degradação dos direitos humanos na China, nomeadamente em Hong Kong e na província chinesa de Xinjiang (onde foram construídos campos para membros da minoria muçulmana uigur).

De referir que França irá assumir a presidência rotativa do Conselho da UE no primeiro semestre de 2022.

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