Em declarações hoje à agência Lusa em Lisboa, onde apresentou o caso no Centro Jean Monnet, Yamileh Saleh insistiu, recorrentemente, na ideia de que, como mãe, vê como “ditatorial” o regime de Nicolas Maduro porque não permite a libertação do filho, detido em 2014.

“A situação é de incerteza, não sabemos o que se poderá passar. Não entendo por que o Governo tem uma teimosia contra o meu filho. O Governo fala de paz, de diálogo, de reconciliação. Já pedi muitas vezes a paz e a reconciliação para o meu país e tenho procurado uma maneira para conversar com o Governo, mas não o consegui”, lamentou.

“Vou falar como mãe. Sim, há uma ditadura, porque o meu filho não está a ser acusado nem julgado como num país onde reina a democracia, onde há independência de poderes. Na Venezuela, basta uma ordem do Governo para o libertar”, sublinhou, afirmando-se “cansada e esgotada” de lutar pela libertação do filho.

Lorent Saleh foi um dos ativistas dos Direitos Humanos venezuelanos galardoados com o Prémio Sakharov 2017 da Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu, por uma atividade iniciada em 2007 de defesa e promoção da dignidade humana, estando detido desde 2014 sem qualquer acusação formal.

Segundo explicou à Lusa Luz Elena López, delegada da VenEuropa em Portugal, Lorent Saleh denunciou sistematicamente as perseguições políticas exercidas pelo Estado venezuelano, desde os tempos do regime do Presidente Hugo Chávez (entre 1999 e 2013, ano em que morreu), sobre opositores ao Governo.

Elena López lembrou que Lorent Saleh se destacou também nos protestos contra as penalizações do protesto pacífico pelo sistema de justiça, pela existência de presos políticos, de torturas e violações sistemáticas dos direitos humanos e ainda a vigência de um “estado de terror”.

Detido pelo regime de Nicolas Maduro desde 04 de setembro de 2014, Lorent Saleh é visto como “preso político”, não tendo sequer sido julgado. O Procurador que o acusou inicialmente já solicitou a sua libertação há cerca de um ano, sem que Caracas tenha dado qualquer passo nesse sentido.

A partir daí, Yamileh Saleh converteu-se na porta-voz do filho e tem vindo a dar a conhecer a situação em diversos países, tendo hoje apresentado o caso em Portugal, seguindo-se, nos próximos dias, visitas com o mesmo objetivo a França, Itália e Espanha.

“Enquanto mães, nunca nos cansamos de lutar pelos nossos filhos. E as mães na Venezuela ainda menos. O Governo já me fez cair, chorei muito e fui humilhada. Mas, depois, levanto-me e vou em frente. Digo a mim própria que tem de se ir em frente. Tenho de ter este espírito forte de lutar pela liberdade, não só pelo meu filho, mas também por todos os que estão presos nas masmorras venezuelanas”, sublinhou à Lusa.

Admitindo que tem medo de represálias quer quando sai e entra na Venezuela – “é um medo grande que não sei quando deixarei de sentir” -, Yamileh Saleh também reconhece que a atribuição do Prémio Sakharov lhe dá “esperança” para continuar, pois constitui “uma ferramenta” para pedir a libertação dos que estão presos nas mesmas circunstâncias.

“Mas é necessário e urgente mudar de sistema [de Governo]. Não só pela pressão sobre o meu filho, como também por todo o sofrimento que estamos a ter enquanto cidadãos”, frisou, admitindo que o problema do filho é uma “gota de água” na situação social na Venezuela, onde falta a democracia, liberdade, alimentos, medicamentos, “tudo”.

“Está a decorrer um processo internacional, que sabemos que é lento, e que diz respeito a um país a que ninguém pode recusar ajuda. Mas é muito preocupante, não só para a Venezuela, mas também para todas as regiões da América”, concluiu.

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