Andersson era até agora ministra das Finanças do governo do primeiro-ministro Stefan Löfven, que renunciou depois de ser alvo de uma moção de censura em junho.

Magdalena Andersson recebeu 117 votos a favor, 57 optaram pela abstenção e 174 deputados votaram contra o seu nome.

Na Suécia, um candidato ao cargo de chefe de Governo não precisa do apoio da maioria no Parlamento para aprovação, apenas que a maioria (175) não vote contra o seu nome.

Pouco antes do anúncio da renúncia de Löfven, a líder centrista, Annie Lööf, tinha declarado que o seu partido não votaria contra Magdalena Andersson, após um acordo alcançado com social-democratas e ambientalistas.

Aos 54 anos, a economista — eleita para a direção do seu partido no início do mês — herda o posto a menos de um ano das complicadas eleições programadas para setembro de 2022.

Ministra das Finanças de Löfven nos últimos sete anos, esta ex-nadadora de alto nível define-se como uma "mulher simpática e trabalhadora", que gosta de tomar decisões. Politicamente, no entanto, conquistou a reputação de firmeza e segurança, com um tom direto que contrasta com a moderação habitual da Suécia, destacam os analistas entrevistados pela AFP.

"Algumas pessoas dizem, inclusive, que têm medo dela, o que é bastante curioso vindo de professores de Economia, ou de cientistas políticos de elite", afirma Anders Lindberg, analista político do jornal Aftonbladet, próximo aos social-democratas. O canal de televisão público SVT, por exemplo, já a apelidou de "bulldozer".

Em Bruxelas, Andersson sempre defendeu a contenção orçamentária, alinhada no ano passado com Áustria, Dinamarca e Holanda no clube dos "frugais". Estes países são contrários ao plano de estímulo económico europeu. Também em 2020 assumiu a presidência de um comitê consultivo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Ela tem uma forma de argumentar que lembra um pouco Angela Merkel. O que ela quer dizer nem sempre está totalmente claro, mas termina por conseguir, porque ninguém mais sabe responder, enquanto ela domina todos os detalhes", acrescenta Lindberg.

Esta é uma importante mudança política na Suécia, após uma década de crescimento da extrema-direita. Esta onda ultraconservadora foi alimentada pela hostilidade ao importante fluxo de refugiados que chegaram antes de Löfven optar, em 2015-2016, por uma abordagem mais restritiva.

Apesar de próxima ao seu antecessor, Andersson tem uma trajetória muito diferente do ex-sindicalista metalúrgico.

"Ela gosta de se apresentar como um bom soldado, que organiza os intervalos do café e prepara sanduíches nas reuniões do partido. Mas vem da elite intelectual", recorda Jonas Hinnfors, professor de Ciência Política da Universidade de Gotemburgo.

Nascida em Uppsala, capital académica da Suécia, esta filha única de um professor universitário e de uma professora se destacou primeiro nas piscinas, tendo sido campeã nacional júnior de natação.

Em paralelo aos estudos na "Handels" de Estocolmo (a principal faculdade de Economia da Suécia) completados com uma passagem por Harvard, Andersson entrou na militância social-democrata aos 16 anos.

Em 1996, tornou-se assessora do primeiro-ministro Göran Persson e alternou períodos dentro do partido com o cargo de alta funcionária do governo. "É alguém que vem de dentro do sistema", explica Anders Lindberg. Antes inclinada à ala mais progressista do partido, seguiu para o centro, observa Hinnfors.

O seu primeiro desafio será impor sua marca, dizem os analistas, mas apesar do seu estilo notável, esta mulher casada com um professor da "Handels" e mãe de dois filhos esconde algumas surpresas. Por exemplo, sua canção preferida é "B.Y.O.B.", dos System of a Down.

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