Há muitas coisas que se espera ver numa praia algarvia: areia, água, a ocasional bola de Berlim, mas não um avião de 73 metros de comprimento a voar próximo à água.

Isso foi, no entanto, o que aconteceu junto às praias de Faro e Vilamoura, quando um Airbus A380 voou durante a tarde de ontem, 5 de agosto, a baixa altitude.

Apesar do cariz surpreendente do voo, a empresa detentora do A380, a HiFly, tinha avisado horas antes nas suas redes sociais de que o voo iria acontecer.

De acordo com a empresa, o voo 5M801 iria partir do Aeroporto de Beja às 14:30 para fazer um "voo de verificação funcional após manutenção" sobrevoaria "Faro e Vilamoura no processo". O avião seria conduzido pelo próprio vice-presidente da empresa, Carlos Mirpuri.

Esta informação foi confirmada ao SAPO24 por fonte oficial da HiFly, que disse que se tratou de "voo técnico programado, necessário após tarefas de manutenção", que durou 52 minutos e que garantiu as condições de segurança.

Questionada quanto à altitude mínima a que um avião da envergadura do A380 pode voar, o representante disse que podem ser "500 pés (152 metros) sobre a água", sendo que "neste voo, o mínimo a que voou foram 1000 pés (cerca de 300 metros)".

Quanto à possibilidade do voo ter também um cariz promocional, a mesma fonte não confirmou, dizendo apenas que a empresa, sabendo "que sendo o maior avião do mundo desperta sempre muito interesse", divulgou o voo nas suas redes sociais.

Ainda assim, apesar dos avisos, houve uma “situação de pânico” durante alguns minutos, na Praia da Rocha Baixinha, também conhecida por Praia dos Tomates, em Vilamoura, segundo um repórter da RTP a passar férias no local.

O jornalista disse que a perceção de alguns dos banhistas era de que o avião poderia cair ou realizar uma aterragem de emergência e que algumas pessoas fugiram mesmo da praia, sendo que uma teve de receber assistência devido a um ataque de pânico.

Apesar do aparente susto, o Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro da Autoridade Nacional da Proteção Civil negou ao SAPO24 ter recebido qualquer chamada de emergência a relatar este caso.

Que avião é este?

O avião em causa chegou a Portugal há dois anos, em julho de 2018, e foi recebido no aeroporto de Beja de onde hoje levantou voo para o voo de treino.

O aparelho tem inscrito "Not too late for coral reefs" ["Não é demasiado tarde para os recifes de coral] uma causa apoiada pela Fundação Mirpuri, cuja referência também se encontra visível no avião, da mesma família que opera a HiFly.

Em declarações a meios especializados na altura da apresentação do aparelho, a HiFly referiu que o projeto decorria de uma parceria entre a Fundação Mirpuri e a AkzoNobel, tendo esta última providenciado o revestimento para o avião cuja pintura representa de um lado os corais destruídos, representados num azul escuro, e no outro um azul claro, representando uma vinha marinha saudável.

"Uma grande causa requer uma grande resposta e agora o maior avião comercial no planeta irá levar esta grande mensagem à volta do globo", referiu, nessa altura, Paulo Mirpuri, presidente da HiFly e da Fundação Mirpuri.

A fundação foi lançada em 2016 pela família que lhe dá o nome e que é também a fundadora da HiFly, criada em 2005 para o negócio designado por wet lease que consiste no aluguer de aeronaves a companhias aéreas com tripulação, manutenção e seguros. A HiFly é liderada por um dos quatro irmãos Mirpuri, Paulo Mirpuri, que liderou antes a Air Luxor, que foi declarada insolvente.

Sobre o aparelho A380 que ontem protagonizou a situação vivida em Vilamoura, o avião, sendo operado pela HiFly, pertence, segundo noticiou a Visão em 2018,  a um fundo alemão de investimentos alternativos chamado Doric e antes de integrar a frota tinha estado ao serviço da Singapore Airlines.

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