"O que nos foi apresentado [pelo Governo] não tem equidade nem igualdade em comparação com outras carreiras da função pública", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, Luís Dupont.

Cerca das 15:30, começaram a chegar ao parlamento técnicos das 18 profissões que integram os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, vindos de todo o país, para reclamar direitos iguais.

A marcha que teve início cerca das 15:00 no Marquês de Pombal e foi enchendo várias artérias da cidade, ao som de apitos, de palavras de ordem como "nem menos, nem mais. Direitos iguais", com vários cartazes e balões negros a acompanhar.

António Nogueira, técnico de análises clínicas, veio de Bragança para manifestar o seu descontentamento em relação à carreira destes profissionais.

"Somos a classe da saúde mais mal paga. Socialmente, não somos reconhecidos. A negociação deles [Governo] é não nos permitir ficar sequer próximo de, por exemplo, os enfermeiros", referiu António Nogueira, que se apresentava todo vestido de preto.

Duas técnicas vindas do IPO de Coimbra e do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, que seguravam um boneco a caricaturar o primeiro-ministro, António Costa, manifestaram à Lusa um sentimento de injustiça perante o não reconhecimento das suas licenciaturas.

"Em termos de profissão e competências, somos reconhecidos a nível europeu como dos mais competentes e, em Portugal, onde somos formados, não nos reconhecem", apontou a radioterapeuta Ana Oliveira.

A trabalhar como radiologista há 18 anos, Joana Madureira disse sentir-se "injustiçada com o tratamento".

"Há 19 anos que nos têm tratado como bacharéis. É uma carreira que nos trata abaixo de todos os licenciados do país", lamentou.

O presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica disse à agência Lusa que, às 17:00, os representantes destes profissionais serão recebidos pela Mesa da Assembleia da República, onde pretendem entregar o manifesto subscrito pelos quatro sindicatos que promoveram o protesto.

Cerca das 16:00, fazendo um balanço do protesto, Luís Dupont não se mostrou "surpreendido" com a adesão dos profissionais à greve e à manifestação, uma vez que "a indignação dos técnicos é muito grande".

Sobre os números da greve, o sindicalista afirmou que estão acima de 90%, registando alguns serviços uma adesão de 100%, mantendo-se os serviços mínimos obrigatórios.

No final das escadarias da Assembleia da República, vários manifestantes exibem uma faixa negra com a inscrição "nem mais nem menos, direitos iguais", sob o olhar de vários agentes da PSP que se encontram na entrada do parlamento.

O largo em frente à Assembleia da República está repleto de manifestantes, a maior parte deles vestidos de negro e com batas brancas, resistindo à chuva que cai desde o início da marcha.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica iniciaram hoje às 00:00 dois dias de greve nacional por falta de acordo com o Governo sobre matérias relativas às tabelas salariais, transições para nova carreira e sistema de avaliação.

A greve é convocada pelas quatro estruturas sindicais que representam os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, sendo que a paralisação deve afetar análises clínicas, meios complementares de diagnóstico e alguns tratamentos.

Os sindicatos alegam que a tabela salarial imposta pelo Governo faz com que cerca de 90% dos técnicos permaneçam na base da carreira toda a sua vida profissional. Além disso, dizem que o sistema de avaliação imposto prolonga a estagnação salarial por mais 10 anos.

Argumentam ainda que o Governo violou o acordo firmado com os sindicatos, reduzindo a quota dos que atingem o topo da carreira em 50%.

A greve, que se prolonga até às 24:00 de sexta-feira, prevê o cumprimento de serviços mínimos, abrangendo tratamentos de quimioterapia e radioterapia ou os serviços de urgência.

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