Do total dos deslocados, que correspondem a 287 famílias, 256 famílias (1.557 pessoas) encontram-se em abrigos precários em dois campos improvisados para deslocados nas aldeias de Chibuto e Muda Serração, a sul do posto administrativo de Inchope, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Manica.

Outras 31 famílias (215 pessoas), que fugiram dos ataques nas aldeias de Mucorodzi, Madziachena e Pindanganga, mais a norte do distrito de Gondola, estão distribuídas em vários abrigos e residências de parentes nas periferias da vila sede distrital e no bairro Cuzuana, no posto administrativo de Cafumpe, indicam os mesmos dados.

Confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e a autoproclamada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), grupo dissidente do principal partido de oposição, estão a provocar uma vaga de deslocados desde fevereiro em Gondola, na província de Manica.

“O governo está a trabalhar para garantir segurança e evitar uma vaga de deslocados”, disse à Lusa Etelvina Ambase, administradora de Gondola, apelando a população para “manter a calma” e para ser vigilante face aos “crimes macabros perpetuados por esses homens armados da Renamo”.

A administradora disse que as autoridades começaram a assistir a população afetada com alimentos, estando prevista a sua integração na cadeia de produção na próxima campanha agrícola, que arranca em setembro.

“Cerca de 25 famílias receberam ‘kits’ em Chibuto 1 e 2 na terça-feira e na quinta-feira foi a vez de Muda Serração, onde existe o maior número da população (deslocada)”, afirmou.

Por sua vez, o delegado do INGC em Manica, Augusto Alexandre, disse à Lusa que a instituição está a responder a nova vaga de deslocados com a distribuição de ‘kits’ básicos, que incluem bens alimentares e não alimentares, como baldes, panelas e cobertores.

“No sentido de as famílias viverem na maior tranquilidade, estamos a entregar também fardos de roupa usada, na perspetiva de as crianças terem alguma roupa para se vestirem, visto que estão a sair das zonas de ataques”, disse Augusto Alexandre.

A zona centro de Moçambique foi historicamente palco de confrontos armados entre forças governamentais e a Renamo até dezembro de 2016, altura em que as armas se calaram após um cessar-fogo, tendo a paz sido selada num acordo subscrito em 06 de agosto de 2019.

Permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, que formaram uma autoproclamada Junta Militar que contesta a liderança do partido e o acordo de paz assinado em agosto do último ano, sendo acusada de protagonizar ataques visando forças de segurança e civis em aldeias e nalguns troços de estrada da região centro do país.

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