O Sistema Nacional de Saúde continua com imensas dificuldades. Durante a semana de 3 a 9 de dezembro, encontravam-se 44 serviços de urgência a funcionar em pleno (53%), e os outros 39 com constrangimentos nalgumas especialidades.

Para a próxima semana as perspectivas são melhores, de acordo com a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde,  mas mesmo assim vão haver constrangimentos, principalmente nas seguintes áreas das urgências: cirurgia geral, pediatria, ortopedia, ginecologia e obstetrícia.

Assim sendo, a Região de Lisboa e Vale do Tejo é a mais afetada em termos de porcentagem. Treze das 19 urgências estarão a funcionar condicionadas em algumas especialidades. A Região Norte também será das mais afetadas. Em 29 pontos de urgência, serão afetadas 11 urgências em algumas especialidades. No Centro, estarão limitados sete dos 17 pontos.

Na região mais afetada por estes constrangimentos, a urgência obstétrica e ginecológica partilhada entre o Hospital de São Francisco Xavier e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa parece ser a que mais preocupa, com o Expresso a noticiar que esta não vai ter médicos em vários dias até ao final deste ano. De notar que desde agosto que o Santa Maria partilha a urgência de obstetrícia com o Hospital S. Francisco Xavier.

Segundo o planeamento, a que este meio de comunicação teve acesso, o cenário repete-se na próxima segunda-feira à noite e também nos dias 19 e 29 deste mês. As equipas médicas que circulam entre os dois hospitais deveriam ter sempre de escala, no mínimo, três especialistas e três internos.

Com estes constrangimentos, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, já veio comentar a situação, garantindo que, apesar de nem tudo estar a funcionar na perfeição, as grávidas continuam a ser atendidas “com qualidade e com segurança”.

“Eu reconheço que o facto de não ser possível que todas as maternidades funcionem na sua plenitude cria naturalmente ansiedade e dificuldades. A verdade é que, tanto quanto a informação que temos, e temos sido muito rigorosos na investigação dessa informação, as pessoas continuam a ser atendidas com qualidade e com segurança”, considerou Manuel Pizarro, na Covilhã, à margem da cerimónia dos 25 anos da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior.

“Claro que não fico nem contente, nem deixo de me preocupar, pelo facto de nem todas as coisas estarem a funcionar na perfeição. Reconheço que isso cria pelo menos alguma ansiedade”, vincou Manuel Pizarro.

Hoje, a Ordem dos Médicos também relatou “situações absolutamente dramáticas” de ausência de resposta em maternidades do país. O bastonário da Ordem, Carlos Cortes, esclareceu que vai ser feito um estudo para depois ser apresentado ao Ministério da Saúde. Neste, vão ser avaliadas as condições físicas, técnicas e de recursos humanos das maternidades, para verificar quais são os problemas e apontar soluções, nomeadamente em termos de profissionais, saber quantos são necessários para o país e em que locais, e os meios técnicos tecnológicos que são necessários para fazer o acompanhamento das grávidas.

Após a conclusão do trabalho, a OM enviará um documento com as suas recomendações ao Ministério da Saúde para as implementar “se assim o entender”. Carlos Cortes espera poder entregar o documento em março ou abril, quando o Ministério da Saúde do novo Governo “estiver pronto para começar as suas funções”.

*Com Lusa.

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