Dentro do parlamento, os deputados começaram hoje de manhã a debater o projeto de aumento das pensões, uma das medidas sociais propostas por Piñera.

Na manifestação, convocada pela plataforma Unidade Social, que reúne cerca de 70 organizações sindicais e sociais, ouviram-se palavras de ordem exigindo a revisão da Constituição, uma reforma do sistema de pensões que acabe com as empresas privadas que administram fundos de pensões, as chamadas AFP, ou ainda habitação digna e uma reforma tributária.

Mauricio Gutiérrez, dirigente de um sindicato do setor eletrometalúrgico e mineiro, exigiu a suspensão da reforma das pensões, afirmando que ele “só aprofunda o sistema atual, que está sobrecarregado e fracassado”.

“O Presidente devia congelar imediatamente a sua proposta de lei e sentar-se a conversar com as organizações sociais, não com os políticos, porque quem se organizou foram os cidadãos”, disse Gutiérrez à agência EFE.

Luis Mesina, porta-voz da plataforma de contestação ao atual sistema de pensões “No+AFP”, criticou a oposição por “pretender validar uma reforma que mantém intactas as AFP”, o fim das quais é “a exigência mais sentida em todos os conselhos [municipais] do país”.

“As pessoas sentem uma desconfiança profunda e legítima” em relação ao Governo, disse Luis Medina à EFE.

O Chile vive uma agitação social sem precedentes desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), com manifestações maciças nas ruas e distúrbios, reprimidos pela polícia e militares, que até ao momento fizeram pelo menos 20 mortos, pelo menos 600 feridos e seis mil detidos.

Além da revisão constitucional e da reforma do sistema de pensões, os manifestantes exigem reformas ao modelo económico ultra-liberal do país.

O movimento de protesto foi desencadeado pelo aumento no preço dos bilhetes de metro na capital, medida que foi suspensa, mas já não travou as manifestações.

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