Marcelo Rebelo de Sousa visitou a associação Alzheimer de Portugal no dia em que se assinala o Dia Mundial daquela doença e considerou importante e urgente a elaboração de um estatuto legal para os cuidadores das doenças neurodegenerativas.

"O compromisso está a demorar muito. Está prometido há muito tempo um estatuto legal. Foi prometido em 2016 e agora no início em 2017", apontou, apelando aos deputados e ao Governo para o que "puderem fazer a pensar na situação dos cuidadores, que são centenas".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, os cuidadores de pessoas com demências têm o direito a ter um estatuto legal já que “têm toda uma vida a cuidar dos pacientes” sem horário, sem dias livres, sem verem acautelada a sua própria situação em termos de segurança social futura, férias ou repouso.

O chefe de Estado chamou ainda a atenção para a necessidade de ser criado um plano de saúde mental.

“É muito importante dar atenção à saúde mental. Foi um dos domínios mais esquecidos no nosso sistema de saúde por falta de recursos. De repente, quando a sociedade envelhece, as pessoas descobrem e descobrem tarde que é um grande problema”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu ainda uma atualização dos dados sobre Alzheimer para se saber quantos casos há, distribuídos por onde, como é a evolução dos casos, quantas pessoas afetadas estão em casa, quantos cuidadores existem e quantos doentes estão em estruturas de acolhimentos.

“É evidente que o país tem muitos problemas, mas engana-se se não tomar em linha de conta que estes problemas de saúde mental são em todas as sociedades cada vez mais importantes e atingem cada vez mais famílias”, alertou.

A Organização Mundial de Saúde estima que em todo o mundo existam 47,5 milhões de pessoas com demência, número que pode atingir os 75,6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 para os 135,5 milhões. A doença de Alzheimer assume, neste âmbito, um lugar de destaque, representando cerca de 60% a 70% de todos os casos de demência.