Marcelo Rebelo de Sousa reagiu assim ao plano apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, com a sua "visão" para a resolução do conflito Israelo-palestiniano, segundo o qual "Jerusalém permanecerá a capital soberana do Estado de Israel, e deve permanecer uma cidade indivisível", com a atual "barreira física" a leste a "servir de fronteira" com um futuro Estado da Palestina, que teria a sua capital nessa área oriental.

"A posição que é a minha é a do Governo, é a de Portugal, e o Governo relembrou-a agora. Isto é: Portugal defende que haja dois Estados, que Jerusalém seja capital dos dois Estados, que haja negociações e diálogo para reabrir um caminho de entendimento entre todas as partes envolvidas naquela região", afirmou o chefe de Estado.

Em resposta aos jornalistas, no final de uma visita à fábrica de cerâmica Viúva Lamego, no concelho de Sintra, o Presidente da República frisou que "Portugal não se afasta um milímetro dessa orientação, que é a orientação, aliás, da União Europeia em geral".

"Não há razão nenhuma para mudar de posição, o Governo português já o disse e eu tenho exatamente a mesma posição. E, tal como o Governo português, digo que este pode ser o momento para realmente reabrir o diálogo, mas, do ponto de vista português, reabrir o diálogo nesta base, e não noutras bases", acrescentou.

Intitulado "Plano para a prosperidade - Uma visão para melhorar as vidas dos povos palestiniano e israelita", o documento apresentado por Trump na terça-feira prevê um Estado da Palestina composto por Gaza e partes do território da Cisjordânia, atribuindo ao Estado de Israel soberania sobre colonatos existentes e sobre o vale do rio Jordão.

O Presidente dos Estados Unidos da América apresentou este plano na Casa Branca, em Washington D.C., com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ao seu lado, sem nenhum representante palestiniano presente.

O Governo português, através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, considerou que o plano da administração norte-americana "constitui uma oportunidade para o relançamento das negociações com vista à resolução do conflito israelo-palestiniano", mas defendeu que tem de haver "um acordo negociado entre as partes", com "ambos a ter direito a ter Jerusalém como sua capital".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve em Israel na semana passada, para participar no Fórum Mundial do Holocausto, e na altura explicou que não se iria deslocar à Cidade Velha de Jerusalém para evitar "um problema diplomático".

O Presidente da República referiu que "iria a uma área que do ponto de vista das Nações Unidas se integra na área que não é israelita" e que faria essa visita "na companhia, naturalmente, de quem são os anfitriões nesta cerimónia do Holocausto, que são israelitas".

"Eu estaria, indo lá nessas circunstâncias, a reconhecer o contrário daquilo que é uma determinação das Nações Unidas e que Portugal aceita desde sempre. Portanto, isso criaria um problema diplomático que eu não posso criar", justificou.

Marcelo Rebelo de Sousa recordou que, quando foi a Israel pela primeira vez, há mais de 30 anos, esteve na Cidade Velha de Jerusalém, um lugar sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos, que está no centro do conflito israelo-palestiniano.

"Mas quando lá estive não era Presidente da República. E, como Presidente da República Portuguesa, era reconhecer a soberania de Israel, e isso era o contrário da posição portuguesa e o contrário da posição das Nações Unidas", reforçou.

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