Questionado pelos jornalistas sobre esta escolha, durante um percurso a pé no concelho de Câmara de Lobos, na Madeira, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Foi uma escolha do Governo, mas com o meu aval".

O chefe de Estado descreveu Pedro Adão e Silva, professor universitário e comentador político, que foi membro da direção nacional do PS durante a liderança de Ferro Rodrigues, entre 2002 e 2004, como "um politólogo, até mais do que historiador, atento à realidade contemporânea do país, muito consensual".

"Embora predominantemente mais no centro-esquerda do que à direita, mas muito consensual no quadro de uma data como é o 25 de Abril, e que terá certamente uma estrutura de apoio muito variada. Não vejo qual seja a razão em termos de competência e de qualificação e até conhecimento da realidade portuguesa para ser questionado", acrescentou.

A escolha de Pedro Adão e Silva para estas funções foi hoje contestada pelo presidente do PSD, Rui Rio, que o apontou como "uma pessoa marcadamente do PS, que aparece nas televisões há muitos anos sempre a defender as posições do Governo e do PS e a atacar permanentemente as oposições".

Rui Rio questionou "para que é que é necessário nomear um comissário executivo com toda esta antecedência para comemorações que vão decorrer em 2024 e com o lugar a terminar em 2026", por um período de "cinco anos e meio, a 4.500 euros por mês".

Também o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues do Santos, contestou esta escolha, considerando que "insulta os portugueses", qualificando Pedro Adão e Silva como "um dos protegidos do 'socialistão', amplamente conhecido enquanto porta-voz da propaganda socialista".

"António Costa, exijo que escolha outra pessoa, de preferência com indiscutível currículo para a função, reduza drasticamente os custos e a duração desta comissão", escreveu Francisco Rodrigues dos Santos numa nota enviada aos jornalistas e divulgada nas redes sociais.

Em 27 de maio, o Conselho de Ministros aprovou a criação de uma estrutura de missão para organizar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, que se assinala em 2024, nomeando Pedro Adão e Silva como comissário executivo.

Perante esta polémica, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que "a designação que pertence ao Presidente é a da Comissão Nacional" das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, que será presidida pelo antigo chefe de Estado António Ramalho Eanes.

"Já sabem que o presidente é Ramalho Eanes, que ficou de propor nomes, e até o número de membros da Comissão Nacional, que eu aceitarei, obviamente, quaisquer que sejam os nomes que ele proponha", adiantou.

Segundo o Presidente da República, "esta estrutura em três comissões é uma estrutura sensata", com Ramalho Eanes à frente da Comissão Nacional, "que tem a palavra decisiva sobre o programa", depois "uma estrutura de acompanhamento e aconselhamento onde os militares de Abril terão uma presença forte" e "uma estrutura executiva que tem de ser naturalmente mais jovem".

Interrogado se considera que esta é polémica sem sentido, respondeu: "Não sei. Sabe que democracia significa que não há duas opiniões iguais sobre ninguém. Há quem não goste, há quem goste, faz parte da lógica da democracia".

"Não vejo razão substancial para [Pedro Adão e Silva] não exercer essa função com as qualidades que são necessárias: o conhecimento da matéria, imaginação inventiva. É relativamente jovem em relação ao período do 25 de Abril, mas isso é compensado pelo facto de haver figuras mais velhas que viveram o 25 de Abril e, portanto, compensam essa questão geracional", considerou.

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