Em declarações à Lusa, durante uma ação de animação comunitária promovida pela MdM no centro da vila de Castanheira de Pera, no interior do distrito de Leiria, o chefe de Estado afirmou que se cruzou com alguns dos jovens que conheceu há um ano, alguns “muito novinhos, mostrando a força do voluntariado”.

“Vários vinham de fora e até de bastante longe e foram essenciais”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Aquela organização chegou às regiões afetadas pelos incêndios a 22 de junho de 2017, cinco dias depois do fogo que eclodiu em Pedrógão Grande, com a Missão Esperança, em setembro anunciou um projeto de continuidade previsto para durar um ano mas o PR acredita que vai continuar depois disso.

“Nunca mais partiram. Acho que a ideia deles é mesmo irem ficando. Primeiro porque ficaram ligados à terra, em segundo lugar porque criaram raízes, as pessoas precisam deles e eles sentem-se bem com as pessoas. Terceiro, porque este processo é mais lento do que se pensa”, afirmou o PR.

Segundo Marcelo, está em causa “um processo contínuo” que “está para durar”, porque “demoram tempo” os “passos de desenvolvimento económico e social que é preciso dar”, bem como os “de integração comunitária e de ultrapassagem daquilo que foi vivido”.

“Eles sentem que têm uma missão a cumprir, a comunidade quer que eles cumpram a missão e portanto estão para ficar”, afirmou.

O chefe de Estado fez um paralelo entre a ação dos voluntários e o Festival Literário Internacional do Interior, a cuja sessão solene de abertura presidiu horas antes.

“O importante não é ter um festival literário, é que as pessoas venham conhecer e viver esse festival. Este é o exemplo dos voluntários: vieram conhecer, perceberam, integraram-se e estão a viver”, enfatizou.

Na ocasião, Marcelo juntou-se a um grupo de jovens responsável pela animação do espaço, cantou, bateu palmas e, no final, falando para os voluntários mais novos lembrou o sucedido dias após o incêndio, aquando da notícia da morte do bombeiro da corporação local, Gonçalo Correia.

“Nunca tinha encontrado uma população tão triste, tão acabrunhada, tão destruída, como naquela noite [da notícia da morte do bombeiro de Castanheira de Pera]”, descreveu o PR.

De acordo com Marcelo, “dois dias depois [no funeral] já era diferente”, porque havia o luto mas havia “a força de resistir”.

Segundo o chefe de Estado, “um ano depois” está “completamente diferente”.

“Não esqueceu mas deu a volta e avançou para o futuro”, descreveu.

Durante o dia de sábado, que passou em Castanheira de Pera, Marcelo disse ter encontrado “sinais de vida”.

Entre eles, a escola onde assistiu à apresentação do projeto “Pinhal de Futuro” que faz o acompanhamento psicológico de crianças e adolescentes dos seis aos 18 anos, afetados pelos incêndios de 2017 na região e “que estão a dar a volta por cima”.

Marcelo passou também pelo festival literário, culminando num baile de finalistas de estudantes do ensino secundário, a quem ofereceu “o espumante e o bolo” e para onde se dirigiu após a iniciativa da Médicos do Mundo.

“Tudo no mesmo dia são sinais de vida. [Passou] um ano menos um dia. O que quer dizer que esta terra tem muita força e quando digo esta, estou a falar desta e de outras terras, que têm a mesma força exatamente”, frisou.

A MdM anunciou esta semana ter já conseguido ajudar, “num ano, mais de mil pessoas nas regiões afetadas pelos incêndios” de junho e outubro, com o apoio de mais de 3.500 voluntários.

A Missão e Projeto Esperança abrangeu, até ao momento, mais de 100 ações de limpeza de escombros e de terrenos e a plantação de mais de 5.500 árvores.

“Só na vila de Castanheira de Pera, um quarto da população recebeu cuidados médicos e psicossociais”, adiantou, em comunicado, a associação.

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