Mário Nogueira falava à porta da Escola Secundária Manuel da Maia, em Lisboa, que às 08:00 já tinha dezenas de pais e alunos à porta, a marcar o início da greve dos professores.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da Federação Nacional de Professores explicou que ainda era cedo para avançar com a adesão à greve, uma vez que a maioria das escolas ainda não tinha iniciado as aulas.

“Ainda não temos dados. Uma vez que só às 08:30 é que começam as aulas [na maioria das escolas]. Aqui na Escola Secundária Manuel da Maia, em Lisboa, como se pode ver as aulas começam às 08:00 e os alunos estão todos aqui porta. É uma escola que por norma não é uma escola em que os níveis de adesão sejam elevados. Praticamente a escola está parada e penso que vai repetir-se por todo o país”, disse.

Os professores realizam hoje uma greve geral e uma concentração em frente ao parlamento, o que se poderá traduzir em escolas fechadas, alunos sem aulas e professores na rua.

Em causa está a polémica proposta de não contagem do tempo de serviço prevista na proposta do Orçamento de Estado para 2018 (OE2018), que será debatida na quarta-feira no parlamento.

“Os professores sabem que esta greve é talvez decisiva naquilo que pode vir a acontecer no plano negocial com a reunião que amanhã se realizará [com o Ministério da Educação] ”, disse.

A Fenprof e a Federação Nacional de Professores (FNE) estiveram reunidas na terça-feira com o Governo.

Em comunicado enviado na terça-feira à noite, o Governo anunciou ter registado “avanços no sentido de um potencial acordo negocial”.

“No seguimento das reuniões realizadas entre a secretária de Estado da Administração e Emprego Público, a secretária de Estado Adjunta e da Educação, a FENPROF e a FNE, o Governo regista avanços no sentido de um potencial acordo negocial”, refere em comunicado.

O Governo acrescentou que “foram exploradas possibilidades” que vão agora ser analisadas, com as reuniões entre as partes a serem retomadas na quinta-feira.

Em declarações hoje à Lusa, Mário Nogueira disse que a “aquilo que ficou previsto na reunião na terça-feira foi que a negociação tinha de continuar”.

“Ontem não houve nenhuma apresentação de uma proposta concreta da parte do governo. Houve sim a tentativa de durante quase duas horas de nos explicar porque é que no plano estritamente jurídico o tempo não podia ser recuperado. Eles têm de perceber que a ditadura do jurídico não se pode sobrepor aos direitos das pessoas”, frisou.

Mário Nogueira destacou que os professores não estão a reivindicar mais salários, só a pedir o que é justo”.

“As pessoas trabalharam durante nove anos, quatro meses e dois dias em que estiveram congeladas as carreiras. Não estamos a exigir que seja em dois anos, estamos disponíveis para negociar um faseamento”, disse.

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