“Guardo memórias muito boas de tudo. Lido com a família Soares há 45 anos. Primeiro com a esposa, a doutora Maria de Jesus, atualmente com a doutora Isabel Soares, por quem tenho uma gratidão enorme. Recordo o doutor Mário Soares como um amigo e um grande político. Não sei se houve ou se haverá algum político como ele”, disse, emocionado, à agência Lusa.

Alunos e funcionários do Colégio Moderno suspenderam as aulas para prestarem homenagem a Mário Soares, aquando da passagem do cortejo fúnebre, pelas 11:05. António Rodrigues, à semelhança de dezenas de outras pessoas, não conseguiu conter a emoção do momento.

O funcionário contou que quando Mário Soares regressou após o 25 de abril de 1974 já era motorista no colégio. Recorda com saudade as viagens que fez com o antigo Presidente da República até Nafarros, Sintra, por Lisboa, ao fim de semana e durante algumas campanhas.

“Portugal fica a dever muito ao doutor Mário Soares. Tudo aquilo que se tem dito é pouco”, afirmou António Rodrigues, que recordou ainda a “espetacular simpatia” do antigo chefe de Estado durante um almoço da sua família no Algarve, a convite do antigo Presidente da República.

Após a passagem do cortejo fúnebre pela rua Dr. João Soares, onde fica a casa de Mário Soares e o Colégio Moderno, no Campo Grande, as palmas das centenas de pessoas, as palavras de “Soares é fixe” e as lágrimas, deram depois lugar à rotina de uma normal segunda-feira.

Numa das varandas, que minutos antes serviram para dezenas de pessoas aplaudirem, manteve-se um cartaz branco de agradecimento: “Obrigado Mário Soares, por tudo”.

No meio da estrada a tirar uma foto, ficou um grupo de antigos alunos do Colégio Moderno.

“Perdemos hoje, mais do que um grande homem, nós, que privamos de perto com ele, perdemos um grande amigo. Um homem de grandes convicções e de grandes afetos. É isso que guardamos na nossa memória: um homem extraordinário e único”, vincou Henrique Vale.

O ex – aluno, de 55 anos, e mais cinco antigos colegas fizeram questão de se despedirem do antigo Presidente da República.

“Conheci muito bem o doutor Mário Soares, desde os tempos difíceis que passou. Lembro-me que esta rua era constantemente invadida pela polícia do Estado na altura. E o doutor Mário Soares, sempre que vinha a casa ou ao colégio, eram sempre momentos muito complicados, nomeadamente para a doutrora Maria de Jesus”, contou Henrique Vale.

À porta do prédio ficaram dois polícias e flores: rosas vermelhas, cor-de-rosa e brancas ou cravos, com dedicatórias como: “Obrigada Mário - foste muito fixe”, “Coragem, Liberdade, Democracia - Obrigado por tudo” e “Descansa em paz - Deus sabe que Soares é fixe”.

António Patrício, reformado de 69 anos, parou alguns segundos à porta do prédio. Visivelmente emocionado, disse à Lusa que é casado com uma professora de matemática no Colégio Moderno, onde leciona desde 1983.

“Para mim foi o maior estadista português, suponho que também na Europa e possivelmente uma figura pública muito grande no mundo inteiro. Lia muito sobre ele, tenho grandes livros dele, todos autografados por ele, as minhas filhas a mesma coisa. É um homem que não podemos esquecer”sublinhou o sexagenário.

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira.

O corpo do antigo Presidente da República está em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos desde as 13:10 de hoje, depois de ter sido saudado por milhares de pessoas à passagem do cortejo fúnebre pelas principais ruas da capital com escolta a cavalo da GNR.

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