"Nesta altura temos uma mão cheia de nada", disse hoje à agência Lusa o vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, Vasco Estrela, tendo feito notar que os prejuízos "foram reportados pela CIM Médio Tejo à Administração Central em meados de janeiro e, passado todo este tempo, não há qualquer notícia" sobre eventuais apoios.

Segundo o autarca, que também preside ao município de Mação, no distrito de Santarém, "a situação é preocupante pela urgência na reparação de algumas das infraestruturas" afetadas, tendo dado conta que "as expectativas até ao momento não são animadoras, no sentido de haver algum tipo de apoios" para as intervenções e investimentos necessários.

Em resposta a uma pergunta do PSD, o Governo afirmou esta semana que "está a concluir o levantamento junto de todos os municípios e regiões afetadas e, com base nos valores totais apurados e no que consta da nova lei de enquadramento orçamental, será determinado o financiamento que será possível alocar, para fazer face aos prejuízos causados pela depressão Elsa".

O mau tempo que ocorreu entre os dias 18 e 20 de dezembro de 2019 causou prejuízos de 6,7 milhões de euros em 10 dos 13 concelhos do Médio Tejo, anunciou em 09 de janeiro a Comunidade Intermunicipal, que afirmava então esperar do Governo apoios específicos para os estragos em infraestruturas.

No relatório enviado em janeiro pela CIM Médio Tejo ao governo relativo aos impactos da tempestade Elsa, pode ler-se que "afetaram de forma mais significativa 10 dos 13 municípios" da região, exemplificando com prejuízos ao nível de pontões, arruamentos, taludes, ribeiras, rede viária, caminhos florestais, cais e plataformas destruídas no Tejo, praias fluviais, muros, habitações sociais, pequenas pontes que ruíram ou ficaram parcialmente destruídas, levantamento e danificação de cobertura em edifícios municipais, a par da necessidade de reconstrução de taludes, desassoreamentos e de regularização do leito de ribeiras, entre outras.

Mação lidera a listagem de estimativa de prejuízos com cálculos na ordem do 1,8 ME, seguido de Vila Nova da Barquinha e Sardoal (1,5 ME), Abrantes (1,2 ME) e Vila de Rei (650 mil euros), num levantamento que, para Vasco Estrela, representa "prejuízos com valores muito elevados e incomportáveis para as Câmaras" afetadas.

"Assistimos a tudo isto com enorme preocupação e com grandes prejuízos para fazer face e que as Câmaras Municipais, nomeadamente a de Mação, não tem possibilidade de fazer se não tiver apoios", frisou o autarca social-democrata.

Em Abrantes, o autarca socialista Manuel Jorge Valamatos disse à Lusa que os danos provocados pelas cheias em dezembro "mantêm-se por resolver, agravando-se com a passagem do tempo", tendo feito notar os "valores elevadíssimos", que ali se cifraram em 1,2 ME, e a sua "preocupação com a necessidade de realizar intervenções urgentes, muitas delas em zonas da responsabilidade do poder central".

Segundo o presidente da Câmara de Abrantes, a autarquia vai "assumir duas ou três intervenções mais urgentes de acessibilidades a casas", esperando depois que “o município venha depois a ser ressarcido" dos investimentos que vai efetuar.

Fernando Freire (PS), que preside ao município de Vila Nova da Barquinha, disse à Lusa que os prejuízos ali estimados em 1,5 ME, nomeadamente nos cais de Tancos e de Almourol, na ribeira de Tancos e na necessidade de desassoreamentos urgentes, "não são passíveis de ser suportados pelo município, porque não tem capacidade nem tem competência".

Nesse sentido, o autarca defendeu que a administração central deve criar, "no mínimo, a possibilidade de acesso a uma linha de fundos comunitários, assegurando aí este município a componente nacional".

Com uma população na ordem dos 250 mil habitantes, a CIM Médio Tejo é composta pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha.

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