“Como bastonário eu espero que as questões da Saúde sejam definidas por quem tem a tutela da Saúde. Vou, por escrito, querer saber quantas reuniões é que os presidentes dos conselhos de administração dos hospitais têm só com elementos do Ministério das Finanças”, afirmou Miguel Guimarães à agência Lusa.

A reação do bastonário surge na sequência de notícias indicando que, nas últimas semanas, administradores de hospitais do Porto foram chamados a reuniões no Ministério das Finanças que decorreram sem a presença de qualquer representante do Ministério da Saúde. O ministro da Saúde já veio considerar a situação das reuniões como normal.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, é necessário ter a certeza de se esta é ou não uma situação de exceção, por isso vai pedir ao Governo informações sobre a quantidade e periodicidade de reuniões entre as Finanças e as administrações hospitalares.

Além disso, Miguel Guimarães considera que esta situação indicia que “a Saúde passou para as mãos das Finanças”.

Por isso, o bastonário afirma que, a partir de agora, todos os ofícios que enviar para o Ministério da Saúde serão também remetidos ao Ministério das Finanças.

“Parece que o nosso interlocutor preferencial passou a ser o Ministério das Finanças”, declarou. Nessa medida, entende que as Finanças passam a ser as principais responsáveis pelas questões “positivas e negativas” que ocorram na área da Saúde.

O bastonário considera “lamentável, mas histórico” que seja o Ministério das Finanças “a liderar as políticas de Saúde”.

do Jornal de Notícias diz hoje que “as Finanças afastam Saúde” de reforma sobre a organização dos serviços de pediatria no Norte do país.

Segundo o Público e o Jornal de Notícias, nas últimas semanas administradores de hospitais do Porto foram chamados a reuniões no Ministério das Finanças que decorreram sem a presença de qualquer representante do Ministério da Saúde.

Em declarações aos jornalistas no final de um debate parlamentar, o ministro Adalberto Campos Fernandes diz que há uma “exploração mentirosa do que é uma rotina normal” e indica que é normal haver reuniões técnicas de responsáveis hospitalares apenas com elementos do Ministério das Finanças.

“Como existem dezenas ou centenas só com a Saúde”, afirmou, lembrando que os hospitais EPE têm uma tutela partilhada entre a Saúde e as Finanças.

O Ministério das Finanças afirma, por seu turno, em comunicado, que não comenta “reuniões de trabalho que eventualmente possa ter ou ter tido com entidades sob sua direção, tutela, superintendência, sobre as quais exerça a função acionista ou que lhe estejam adstritas, nos termos legais”.

Sublinha ainda que lhe “cabe avaliar o investimento público o que, feito com rigor e responsabilidade, implica um adequado conhecimento das condições em que esse investimento é realizado”, sublinhando que este trabalho é feito sempre em estreita coordenação com as tutelas setoriais.

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