"Vai mudar muito na vida da Carris e vai mudar muito na vida dos lisboetas. Nós vamos fazer um forte investimento na Carris, em [...] mais autocarros, mais motoristas, mais elétricos, mais rede", e com "passes mais baratos a partir de hoje", disse Fernando Medina, que falava aos jornalistas nos Paços do Concelho, no final de uma viagem inaugural da nova gestão, feita de elétrico.

A Câmara de Lisboa assume hoje a gestão da rodoviária - 41 anos depois de a ter 'perdido' para o Estado -, num processo que gerou alguma polémica, após o PCP ter pedido a sua apreciação parlamentar.

Nos próximos três anos, a autarquia tenciona adquirir 250 novos autocarros, fazer um investimento de 60 milhões de euros, contratar 220 motoristas, atribuir passes gratuitos a todas as crianças até aos 12 anos e descontos para os idosos e criar 21 novas linhas, que fazem parte da nova "Rede de Bairros" e pretendem servir deslocações do dia-a-dia nas freguesias lisboetas.

"O que vai mudar é que nós ao longo dos próximos anos vamos fazer um grande esforço para melhorar o transporte público, para que as pessoas possam confiar mais no transporte público e para que o transporte público seja em Lisboa aquilo que é nas outras cidades desenvolvidas, a espinha dorsal do sistema de mobilidade", frisou Fernando Medina.

Sobre os descontos nos passes, Fernando Medina desvalorizou os casos divulgados nos últimos dias, que davam conta da impossibilidade de obter as reduções, isto para quem quis comprar os títulos antecipadamente, indicando que sempre "esteve anunciado que o tarifário entrava em vigor a partir de 1 de fevereiro".

Sobre o pedido de apreciação parlamentar apresentado na sexta-feira pelo PCP, relativamente ao diploma que transfere a Carris para o município, o autarca lisboeta sublinhou que "não compromete" esta passagem, tendo "fundamentalmente a ver com a gestão [da rodoviária] na esfera pública no futuro".

Indiferente também às críticas da oposição no executivo municipal, que hoje não esteve presente, Fernando Medina vincou que "este dia marca o arranque de um novo ciclo".

Depois da viagem de elétrico, entre a estação de Santo Amaro (em Alcântara) e a praça do Município, o autarca falou ainda da "intenção de reativar alguns elétricos na cidade", como o 24, que ligará o Cais do Sodré a Campolide, mas isso não será ainda este ano.

Antes da viagem, o primeiro-ministro, António Costa, atribuiu, de forma simbólica, uma guia de serviço e chave de ignição a Fernando Medina, marcando assim a passagem do Estado para o município.

Coube ao autarca entregar estes elementos ao guarda-freio.

Durante a viagem, na qual participaram vereadores da maioria socialista, houve duas paragens - Conde Barão/Avenida 24 Julho e Cais do Sodré - e entraram algumas pessoas, que reagiram com surpresa à presença da comitiva, acompanhada por vários órgãos de comunicação social.

Pelo caminho, Fernando Medina aproveitou também para mostrar a António Costa (que liderou a autarquia durante quase oito anos, até 2015) as obras que estão a ser concluídas na frente ribeirinha, apontando para elementos como as novas ciclovias e os novos espaços verdes.

Presente na ocasião, o presidente do conselho de administração da Carris, Tiago Farias, disse aos jornalistas que "este é um dia histórico" para a cidade.

Sobre o facto de a empresa passar a ser gerida por Lisboa, quando serve também outros municípios da área metropolitana, considerou que "a forma como está desenhado o projeto para a Carris, dentro da cidade de Lisboa, está perfeitamente coerente".

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