Nenhum representante da Argentina, Brasil ou Paraguai participou na reunião, refere a agência de notícias AFP.

O Uruguai é o único membro da Mercosul que aceita a liderança da Venezuela, tendo entregue, em julho, a gestão do grupo ao governo de Nicolás Maduro, após seis meses de mandato.

Esta terça-feira, dia 23, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai participaram numa reunião que visava discutir a liderança do grupo. Não existiu consenso, nem a presença de representantes venezuelanos. Ficou agendada nova sessão para o dia seguinte.

Na quarta-feira, 24, porém, apenas dois membros marcaram presença: Bolívia e um representante do Uruguai, que reforçou o apoio à Venezuela para liderar o Mercosul. No final do encontro, Héctor Constant, coordenador venezuelano, fez uma declaração à imprensa acompanhado unicamente por Benjamín Blanco, embaixador boliviano (a Bolívia ainda não integra oficialmente o grupo, não tendo por isso direito a voto).

Numa conferência de imprensa em que não aceitou perguntas, Constant deu conta das pretensões do governo da Venezuela para o Mercosul, e que passam por aprofundar contactos com Cuba, China e Rússia, prosseguir com as negociações com a União Europeia (quer um comércio-livre entre partes) ou tornar o Mercosul “músical” (tendo por base a experiência do país em orquestras juvenis).

Atravessando uma das maiores crises desde a sua criação, a situação do Mercosul só é comparável à vivida em 2012, quando o Paraguai viu a sua posição no grupo ser suspensa, por viver um momento de instabilidade política, com destituição do então presidente Fernando Lugo (uma situação de “impugnação” - impeachment - semelhante à de Dilma Rousseff, no Brasil).

A situação deve continuar num impasse. Escreve a Folha de São Paulo que, tal como aconteceu esta quarta-feira, Brasil, Argentina e Paraguai não deverão comparecer nas próximas reuniões agendadas. Sem a sua presença, não é possível acertar novos planos ou decisões, uma vez que estas não podem ser tomadas sem o voto de todos os estados-membros do grupo.

A recusa destes três países em reconhecer a liderança do governo de Caracas é justificada pela crise económica e política vivida no país.

A presidência do Mercosul, no entanto, deveria mesmo pertencer à Venezuela, devido ao sistema de rotatividade - a cada seis meses, um novo país assume o mandato, por ordem alfabética.

Nos primeiros seis meses deste ano, essa chefia pertenceu ao Uruguai, que, alega, não existe qualquer obstáculo jurídico que proíba a passagem da presidência de forma automática à Venezuela.

Em Caracas, de acordo com a AFP, Nicolás Maduro responde dizendo que existe uma “tripla aliança de torturadores da América do Sul” entre Brasil, Argentina e Paraguai. E não se poupou a fazer juízos individuais, ao classificar o governo interino brasileiro, liderado por Temer,  de “ditadura composta”, qualificou o presidente argentino, Mauricio Macri, de “fracassado”, e o governo paraguaio ser uma “oligarquia corrupta e narcotraficante”.

Ainda que com um futuro incerto, o Mercosul deve optar pela solução avançada pelo governo argentino - apoiada pelo Brasil e Paraguai - de uma liderança partilhada a três, até dezembro. O Uruguai ainda não se pronunciou.

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