"Há muito que ainda não sabemos com certeza suficiente mas temos de, da maneira como as coisas estão agora, assumir que se trata de um ataque terrorista", disse Merkel.

Apesar das circunstâncias, Merkel deixou uma palavra de esperança: "Vamos encontrar força para continuar a viver como queremos na Alemanha - em liberdade, com abertura e união", disse. "Não queremos viver com medo do mal", acrescentou a chanceler.

Merkel, que irá visitar o local do ataque, disse ainda à imprensa que seria especialmente preocupante se o atacante tiver sido aceite na Alemanha através do programa de acolhimento a refugiados. Esta é uma das possibilidades que está a ser considerada.

"Sei que será especialmente difícil aceitar caso se confirme que a pessoa que cometeu este acto é alguém que procurou asilo [na Alemanha]". A chanceler garantiu que as autoridades vão esclarecer todos os detalhes e que o atacante - o suspeito foi entretanto detido - será punido.

As declarações de Merkel surgem após o ministério alemão do Interior ter classificado de "atentado" o massacre cometido na segunda-feira num mercado de Natal em Berlim, que deixou 12 mortos e dezenas de feridos, sem revelar detalhes sobre o suspeito ou as suas motivações.

"Pouco importa o que saberemos sobre as motivações do agressor, não devemos deixar que roubem o nosso modo de vida, fundado na liberdade", disse o ministro Thomas de Maizière num comunicado, no qual acrescenta que "os mercados de Natal permanecerão abertos" no país, acompanhados das "medidas de segurança adequadas".

Segundo o alemão Bild, que cita fontes envolvidas na investigação, o suspeito condutor do camião que abalroou o mercado de Natal de Breitscheidplatz é um paquistanês de 23 anos, chamado Naved B. O jornal alemão diz ainda que o suspeito terá chegado à Alemanha há um ano.

Escreve ainda a Reuters, citando outros órgãos de comunicação alemães, que o suspeito terá chegado à Alemanha via Passau, uma cidade na fronteira com a Áustria, a 31 de dezembro, de 2015. Este terá nascido a 1 de janeiro de 1993, no Paquistão, e já estava referenciado pelas autoridades por ofensas menores.

Segundo o jornal Die Welt, o suspeito tinha permissão de residência temporária na Alemanha desde junho de 2016.

Já a CNN corrobora as informações mencionadas acima, citando dois oficiais dos serviços secretos alemães. Escreve a CNN que o suspeito se trata de um refugiado da zona Afeganistão - Paquistão, que chegou a Passau a 31 de dezembro de 2015, tendo viajado pelos Balcãs.

Estas informações não foram, porém, confirmadas oficialmente pelas autoridades.

Na sequência do ataque, noticia o alemão Die Welt, citado pela Reuters, a forças especiais alemãs iniciaram um raide no centro de refugiados localizado no aeroporto de Tempelhof por volta das 4h00 da madrugada (hora local).

O camião usado neste ataque é de propriedade polaca. Já de madrugada, as autoridades adiantaram que o corpo encontrado dentro da cabine do camião é de um cidadão polaco, não sendo claro para já qual o seu grau de envolvimento no ataque. O motorista transportava 25 toneladas de um carregamento de aço, vindo de Itália.

O mercado de Natal de Breitscheidplatz localiza-se perto de uma das principais avenidas de Berlim ocidental, a Kurfuerstendamm. Esta segunda-feira, um camião abalroou o mercado, fazendo 12 vítimas mortais e ferindo 48 pessoas.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa condenaram o ataque e mostraram-se solidários para com os seus homólogos. O Governo português insistiu numa "resposta global para combater o terrorismo".

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