A TIME chama-lhes "The Silence Breakers" (As que quebraram o silêncio, em português). Na capa figuram Susan Fowler, Adama Iwu, Ashley Judd, Taylor Swift e Isabel Pascual. Não são só elas, mas também são elas "as vozes que lançaram um movimento". Este ano a revista norte-americana decidiu eleger como Pessoa do Ano 2017 todos aqueles que denunciaram as dezenas de casos de assédio sexual e violação nos círculos públicos, de Hollywood à política.

Esta distinção é o reconhecimento a um movimento social que haveria de ficar conhecido como #MeToo e que representa todas as pessoas, na sua maioria mulheres, que trouxeram à praça pública a discussão sobre assédio e abuso sexual.

A TIME compara o movimento ao "inquietante mal-estar da frustração e da repressão entre esposas do pós-guerra e donas de casa identificadas por Betty Friedan há mais de 50 anos", mas com diferenças. Sim, também "nasce de um sentimento de confusão muito real e potente", mas, no entanto, "não tem um líder, nem um único princípio unificador".

A hashtag #MeToo (adaptada rapidamente para outras línguas - #BalanceTonPorc, #YoTambien, #Ana_kaman), ofereceu até hoje um 'guarda-chuva' de solidariedade para que milhões de pessoas avançassem e contassem as suas histórias", pode ler-se na peça que revista TIME publica no site e em que introduz o movimento.

Os casos agora revelados surgem em avalanche, com novos relatos quase diários, mas o problema é antigo. "As mulheres tiveram chefes e colegas de trabalho que não só atravessaram 'fronteiras', mas que nem pareciam saber que existem limites", escreve a publicação, que salienta que o medo de retaliação ou de perder o seu trabalho permitiu que as histórias de assédio e abuso sexual permanecessem nos bastidores.

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"Estas que quebraram o silêncio começaram uma revolução de recusa, reunindo força, dia a dia e, nos últimos dois meses, a sua raiva coletiva estimulou resultados imediatos e chocantes: quase todos os dias, CEOs foram demitidos, magnatas derrubados, ícones desonrados. Em alguns casos, foram cobradas acusações criminais", sublinha a TIME.

A hastag #MeToo foi criada há mais de uma década pela ativista Tarana Bruke. Mas foi nos últimos meses, quando vários homens, mundialmente conhecidos, como Kevin Spacey, Harvey Weinstein ou Louis C.K., enfrentaram acusações de abuso e assédio sexual que a hashtag se popularizou e serviu de megafone para que várias pessoas denunciassem histórias de abusos.

O presidente americano Donald Trump, Pessoa do Ano para a TIME em 2016, ficou em segundo lugar na classificação, seguido pelo seu homónino chinês, Xi Jinping, informou a revista.

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