O percurso, com cerca de cinco quilómetros, começa no jardim Dom Fernando, no centro da cidade até ao templo situado no cimo do monte de Santa Luzia.

"É sempre uma peregrinação muito participada. Além das mais de 40 paróquias do arciprestado de Viana do Castelo, participam outras paróquias da diocese e muitos outros fiéis que fazem questão de marcar presença nesta importante manifestação de fé", afirmou hoje à agência Lusa o vigário paroquial de Santa Maria Maior, Vítor Rocha.

A tradição, organizada em conjunto pela Confraria de Santa Luzia e pela Diocese de Viana do Castelo, realiza-se desde 1918, antes do verão. Tem a sua origem num voto formulado pela população da cidade rogando proteção à epidemia pneumónica que na altura provocava muitos mortos na região.

"O ano de 2018 carrega consigo uma recordação histórica. Decorrem, no dia 10 de novembro os 100 anos do voto - prometido pelos vianenses - de consagrar a cidade e o seu povo ao Sagrado Coração Jesus, na imagem que já se encontrava em frente à capela de Santa Luzia", explicou o padre Vítor Rocha.

No entanto, acrescentou, "a primeira peregrinação ao Sagrado Coração de Jesus só se cumpriria três anos depois, em 1921, porque até então eram proibidas as manifestações religiosas e a subida ao monte de Santa Luzia".

A fonte destacou ainda "o impacto desta promessa, e consequentes peregrinações, na edificação do santuário no alto do monte de Santa Luzia".

"O retomar das obras de construção do templo, interrompidas desde a Implantação da República, em 1910, deveu-se à renovada afluência de fiéis (a partir de 1921). Mais uma vez, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus impulsionou a construção do Santuário - com toda a sua envolvência espiritual", reforçou.

A peregrinação diocesana reúne crentes de todas as freguesias do concelho e de outros pontos do país.

O percurso parte às 09:00 de domingo da igreja de S. Domingos, no centro da cidade, e termina após a eucaristia que decorrerá no anfiteatro construído pela Confraria no jardim das Tílias, com capacidade para acolher cerca de 700 pessoas sentadas, presidida pelo bispo diocesano de Viana do Castelo, Anacleto de Oliveira.

A peregrinação até ao santuário de Santa Luzia faz-se por um percurso sinuoso de acentuado declive, que leva cerca de duas horas a percorrer a pé. Há quem decida cumprir a promessa subindo os 742 degraus do escadório que liga a cidade ao monte.

Outra alternativa ao dispor dos peregrinos é o elevador de Santa Luzia. O funicular tem um percurso de 650 metros que leva cerca de oito minutos a completar e é considerado o mais extenso do país.

Reza a tradição que, no final das cerimónias religiosas, os peregrinos almocem em família, distribuídos nos inúmeros espaços verdes espalhados pela envolvente ao santuário.

Este ano, os peregrinos já têm ao dispor um edifício polivalente de três andares, num investimento de cerca de 1,2 milhões de euros. O edifício das Tílias está dotado de albergue de peregrinos, arquivo e museu do santuário de Santa Luzia.

"Em breve será dotado de um espaço de restauração ao dispor de todos os turistas", explicou o padre Vítor Rocha que destacou ainda "as intervenções de restauro realizadas no interior do templo de Santa Luzia".

O arranjo urbanístico e paisagístico daquela área foi iniciado, em 2014, pela confraria de Santa Luzia, que zela por aquele santuário desde 19 de março de 1884.

A empreitada incluiu a recuperação do interior e exterior do templo-monumento, o tratamento de todo o espólio, a instalação de sinalética e a criação de ferramentas para a sua divulgação, entre elas, uma aplicação para telemóveis e 'tablets', um novo sítio na internet, para a divulgação e promoção turística do santuário.

Do zimbório existente no topo do templo, o ponto mais alto de Viana do Castelo, os visitantes avistam uma paisagem de vários quilómetros.

De acordo com dados da confraria, entre 80 mil a 90 mil pessoas acedem (entrada paga) anualmente ao zimbório.

Projetado pelo arquiteto Ventura Terra, o templo de Santa Luzia, cuja construção decorreu entre 1904 e 1943, é hoje um ex-líbris de Viana do Castelo, sobranceiro à cidade na montanha com o mesmo nome.

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