Nove meses após o início da invasão russa, milhões de ucranianos vão passar o dia sem eletricidade e aquecimento e em Kiev, já atingida por condições meteorológicas típicas do inverno (chuva e neve), cerca de 70% da população da capital ficou sem fornecimento de energia hoje de manhã, segundo a autarquia da cidade.

O abastecimento de água foi restabelecido ao início da tarde, de acordo com a mesma fonte, numa altura em que as temperaturas mal ultrapassaram os zero graus Celsius.

O Ministério da Defesa russo assegurou que os seus bombardeamentos não atingiram Kiev, acusando a defesa antiaérea ucraniana de ser responsável pelos danos na capital.

Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, próxima da fronteira com a Rússia, “problemas de fornecimento de eletricidade” persistiram, disse o governador da região, Oleg Synegoubov.

O resto da Ucrânia também foi afetado fortemente pelos cortes de energia elétrica, que tem vindo a ser restabelecida gradualmente.

As autoridades de saúde estão particularmente preocupadas com o efeito dos cortes de energia na população, quando as temperaturas na Ucrânia atingem valores muito baixos.

“Os apagões na Ucrânia causados por ataques às infraestruturas de energia estão a colocar milhões de civis em perigo. (…) À medida que o inverno se aproxima e as temperaturas caem, isso afetará as pessoas em áreas próximas e mais distantes da linha de frente, que passaram por condições muito difíceis nos últimos oito meses”, disse hoje o coordenador-geral dos Médicos Sem Fronteiras, Christopher Stokes.

Numa intervenção por videoconferência perante o Conselho de Segurança da ONU, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou, na quarta-feira, os ataques russos contra as infraestruturas de energia, classificando-as como um “crime contra a Humanidade”.

Nas últimas horas, as três centrais nucleares sob o controlo de Kiev foram novamente ligadas à rede de distribuição de energia, prevendo-se que possam abastecer as casas sem eletricidade ainda hoje à noite.

“Se não houver novos ataques, poderemos reduzir significativamente a falta (de eletricidade) no sistema de energia até ao final do dia”, disse o ministro da Energia ucraniano, Guerman Galushchenko.

A Rússia disparou cerca de 70 mísseis de cruzeiro contra a Ucrânia, na quarta-feira, dos quais 51 foram abatidos, segundo Kiev.

Os ataques visaram essencialmente as infraestruturas de energia, que já se encontravam danificadas por outras vagas de bombardeamentos.

No total, “oito instalações de energia” foram afetadas, disse o procurador-geral ucraniano, Andri Kostine, acrescentando que 10 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.595 civis mortos e 10.189 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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