Ator lendário, que figurou em filmes como "Spartacus", "O Grande Ídolo", "Assim Estava Escrito" ou "Fuga sem rumo" e era um dos últimos sobreviventes da época dourada de Hollywood, Kirk Douglas morreu hoje aos 103 anos.

A confirmação foi dada por um dos seus filhos, Michael Douglas, que lançou um comunicado obtido pela revista People.

"É com uma tremenda tristeza que os meus irmãos e eu anunciamos que Kirk Douglas deixou-nos com 103 anos. Para o mundo, ele era uma lenda, um ator da época dourada dos filmes que viveu bem até aos seus anos dourados, um humanista cuja dedicação à justiça e às causas nas quais acreditava criaram um padrão que todos nós aspiramos", lê-se.

"Mas para mim e para os meus irmãos, Joel e Peter, era apenas um pai”, escreveu Michael Douglas, acrescentando que Kirk Douglas deixa “um legado no cinema que vai perdurar nas gerações futuras e uma história enquanto um filantropo de renome, que trabalhou para ajudar o público e trazer paz ao planeta”.

Com 92 participações em filmes, Kirk Douglas foi uma das grandes estrelas do "star system" que imperou na indústria cinematográfica norte-americana até aos anos 60. O ator, que se retirou em 2004, foi três vezes nomeado para o Óscar de Melhor Ator pela Academia, sem nunca ter vencido, pelos seus papeis em "O Grande Ídolo", "Assim Estava Escrito" e "Vida Apaixonada de Van Gogh". No entanto, o Douglas viria a receber um Óscar honorário em 1996.

Filho de imigrantes russos judeus, Kirk Douglas nasceu em 1916 na cidade de Amsterdam, no estado de Nova Iorque, nos EUA. O seu nome de batismo era Issur Danielovitch, mas o ator mudou-o legalmente para o seu nome americanizado antes entrar na marinha norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial.

Fruto de uma infância modesta, Douglas acumulou trabalhos variados antes de finalmente abraçar a carreira de ator, nos anos 40. Foi a trabalhar como funcionário das limpezas que conseguiu entrar na St. Lawrence University, onde se formou em artes. Depois, mudou-se para Manhattan, onde conseguiu receber uma bolsa especial da Academia Americana para as Artes Dramáticas.

Estreando-se primeiro na Broadway, em 1941, e servindo na marinha norte-americana até 1944, Douglas só teve o seu primeiro papel formal de cinema em 1946, no filme "O Estranho Amor de Martha Ivers". Esse marcou o início de uma carreira estratosférica, que se apoiou inicialmente na sua figura atraente e olhos azuis para colocá-lo em papéis de protagonista viril.

No entanto, não foi só esse tipo de personagens que interpretou, sendo que foi ao reencarnar Vincent Van Gogh em "A Vida Apaixonada de Van Gogh", em 1956, que não só fugiu ao impiedoso typecasting que imperava na Hollywood da época, como também foi assim que obteve o seu único Globo de Ouro.

Ao longo da vida, Kirk Douglas recebeu ainda o prémio honorário Cecil B. DeMille, em 1968, e a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida pelo Presidente Jimmy Carter, em 1981.

Para além do seu trabalho à frente das câmaras, Kirk Douglas destacou-se ainda pelo trabalho de produção, tendo fundado a produtora Bryna Productions, responsável por dois dos mais importantes filmes em que participou: "Horizontes de Glória" e "Spartacus", ambos realizados por Stanley Kubrick.

O ator tinha sobrevivido a um desastre de helicóptero em 1991 — que o levou a explorar as suas raízes judaicas — e a um AVC em 1996, que o debilitou na mobilidade e na fala. Ainda assim, Kirk Douglas continuou a participar em filmes, sendo que o seu último papel foi no filme "Ilusões", em 2004.

Considerada uma das figuras mais respeitadas de Hollywood, Kirk Douglas fez uma das últimas aparições em público na cerimónia dos Globos de Ouro de 2018.

O ator esteve casado com Diana Douglas, entre 1943 e 1951, e com Anne Douglas, desde 1954.

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