“O PCP tem uma grande experiência em formas de luta, os seus ritmos... são determinantes para alcançar vitórias. Quando alguns põem em cima da mesa um radicalismo que dá pretextos para pôr em causa o direito à greve estão, de facto, a criar dificuldades ao desenvolvimento da luta consequente porque a luta não termina na segunda, terça-feira nem passado uma semana. É uma luta prolongada e não é apenas dos motoristas das matérias perigosas. Em termos gerais, é uma luta dos trabalhadores porque a politização que está a ser feita deste processo tem muito a ver com aquilo que é o presente e o futuro da luta de todos os trabalhadores portugueses”, disse.

O membro do Comité Central do PCP, em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, sublinhou que “aquilo que o PCP entende é que parece haver alguns que querem pôr para cima da mesa pretextos, quer para criar dificuldades a um processo negocial e a uma luta consequente dos trabalhadores motoristas, quer para pôr em causa o direito à greve”.

Ângelo Alves chamou ainda a atenção para o facto de, segundo o próprio, o Governo ter “meios” para pacificar o conflito entre trabalhadores e patrões do setor dos transportes, à margem de uma declaração sobre recentes decisões do Presidente norte-americano, Donald Trump, traçando paralelos com o 74.º aniversário dos bombardeamentos atómicos das cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui.

“O Governo tem meios para fazer com que as empresas cumpram o contrato coletivo, nomeadamente por via da Autoridade para as Condições do Trabalho. Aquilo que se impõe é o Governo usar os meios de que dispõe. Há um processo de negociação em curso e um acordo de contrato coletivo alcançado após 20 anos em que essa foi uma das grandes lutas dos trabalhadores motoristas neste país. Consideramos que é positivo, é necessário avançar mais e prosseguir este quadro de negociação e de luta consequente para que os trabalhadores possam alcançar vitórias naquilo que são direitos perfeitamente legítimos”, continuou.

O dirigente comunista destacou como questão essencial que “há direitos dos trabalhadores motoristas que estão por cumprir”, sendo a intenção do PCP, “em primeiro lugar, afirmar a sua determinação em continuar a intervir de forma solidária com os trabalhadores motoristas para que esses direitos sejam cumpridos, quer aqueles que ainda não estão consagrados no contrato coletivo de trabalho, quer os que já estão e que não estão a ser cumpridos por variadas empresas”.

O Governo socialista fixou na quarta-feira os serviços mínimos para a greve depois das propostas dos sindicatos e da associação patronal Antram terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluiriam trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

Em 15 de julho foi marcada nova greve pelos sindicatos SNMMP e Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM), acusando a Antram de não querer cumprir o acordo assinado em maio.

Os representantes dos motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais no salário-base até 2022: 700 euros em janeiro de 2020, 800 euros em janeiro de 2021 e 900 euros em janeiro de 2022, o que, com os prémios suplementares que estão indexados ao salário-base, daria 1.400 euros em janeiro de 2020, 1.550 euros em janeiro de 2021 e 1.715 euros em janeiro de 2022.

Também se associou à greve o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

(Notícia atualizada às 15:56)

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