“Estou tranquilo. Penso que não se vai passar nada. As pessoas entram numa loucura, se calhar nem precisam, e veem-se filas nos postos de abastecimento. Não estou minimamente preocupado, o depósito está abaixo de meio. Não vai faltar gasóleo”, afirmou Francisco Castro, taxista há 20 anos, certo de que se criou um certo “alarme” perante a perspetiva de paralisação dos motoristas de matérias perigosas.

Também José Silva, de 57 anos, defende que “não vale a pena entrar em alarmismos”, lembrando que, “já na vez anterior [em abril], as pessoas correram para as bombas [de abastecimento de combustível] e não houve necessidade”.

“De manhã tinha o depósito vazio e fui encher, mas penso que está a haver algum alarmismo. Acho que a greve vai acontecer mas não vai ser assim tão complicado”, explicou, depois de deixar um passageiro na Praça da República.

O motorista vai, portanto, enfrentar a perspetiva de paralisação sem entrar em exageros: “Meto o combustível que realmente necessito”, assegurou.

“Não vou abastecer ao fim do dia só com o receio de que, no dia seguinte, possa não haver [combustível]. Isso não faço”, garantiu.

Taxista há 45 anos, Manuel Azevedo acha que a greve com início marcado para segunda-feira e por tempo indeterminado “não vai dar em nada”.

Como tal, ainda “nada” fez para uma eventual falha no abastecimento de combustível.

“Até tenho bidões em casa, mas não vou encher. Vou esperar. Acho que não vale a pena estar a correr. Já estão as bombas cheias, mas eu não vou”, disse.

Francisco Castro considera igualmente que “está tudo a atestar [os carros] escusadamente”.

“É só na segunda-feira que começa [a greve] e não vai durar uma ou duas semanas, que este Governo não é burro de fazer parar o país”, observou.

Para o taxista, a corrida ao abastecimento de combustíveis “é tudo alarmismo do povo, cheio de medo que vá faltar o gasóleo ou a comida”.

David Pereira, taxista há 23 anos, tinha abastecido “há cinco minutos” quando falou com a Lusa.

“Já me preparei. Atestei agora mesmo, há cinco minutos. Bomba estava a abrir, demorei dez minutos, um quarto de hora”, descreveu, admitindo que “todos os dias, de manhã, vai tentar atestar” o depósito.

Ainda assim, o motorista está “confiante de que [a greve] não vai durar muito”.

“Não me está a preocupar muito. Estamos em altura de eleições, isso tem muita importância”, observou.

Vitor Costa, de 55 anos e taxista há cinco diz que está “preparado”, mas isso significa apenas que vai “trabalhar normalmente e atestar quando tiver de ser”.

“O carro é partilhado, gastamos muito combustível e abastecemos todos os dias, por norma. Há sempre o cuidado de ter combustível suficiente para poder trabalhar à vontade”, explicou.

O taxista diz não estar “preocupado com a greve” até porque considera que “não vai acontecer”.

“Se calhar as pessoas vão ser razoáveis para perceber que é uma luta um bocado extremada, que vai ter um preço alto e vamos pagá-lo todos”, defendeu.

A greve dos motoristas de matérias perigosas está marcada para 12 de agosto e poderá prolongar-se por tempo indeterminado.

O advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, disse na sexta-feira que os plenários de trabalhadores no sábado são a "última oportunidade" para a Antram apresentar uma proposta que cancele a greve dos motoristas.

O Governo decretou na quarta-feira serviços mínimos entre 50% e 100% para a greve dos motoristas de mercadorias que se inicia na próxima segunda-feira, dia 12, por tempo indeterminado.

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