Nas eleições autárquicas de 2017, foram eleitos 48 presidentes de câmaras municipais para um terceiro mandato consecutivo. Ou seja, segundo a lei da limitação de mandatos que entrou em vigor em 2006, esta quase meia centena de autarcas está impedida de, nestas eleições, se recandidatar ao cargo para que foram eleitos há quatros anos

Muitos não chegaram até 2021, uns porque viram tribunais retirar-lhes o mandato, na sequência de processos judiciais, outros, por exemplo, foram 'levados' para a Assembleia da República ou para o Governo em 2019, na sequência das eleições legislativas. No entanto, qualquer que tenha sido o rumo destes nos últimos quatro anos, uma coisa todos têm em comum: o lugar para que foram eleitos está-lhes vetado pela legislação em vigor.

Ainda assim, não deixa de ser curioso que, deste grupo, 18 voltem a ser candidatos nestas eleições. A grande maioria candidata-se às Assembleias Municipais dos concelhos que presidiram, mas cinco deles tentam mesmo a sua sorte noutros concelhos.

Maria das Dores Meira será porventura o exemplo mais mediático. Depois de 12 anos à frente dos destinos da Câmara Municipal de Setúbal é candidata a liderar o executivo municipal da Câmara de Almada e a recuperá-la para o mapa autárquico da CDU, depois do ‘assalto’ socialista de 2017, quando Inês de Medeiros conseguiu uma vitória história para o PS naquele concelho que deste 1976 tinha sido governado pela coligação entre comunistas e ecologistas.

Mas há mais exemplos. José Calixto, depois de mais de 15 anos como autarca em Reguengos de Monsaraz, primeiro como ‘número dois’ da câmara e, depois, como presidente, papel com o qual conquistou três maiorias absolutas, quer ser o trunfo do PS para recuperar a câmara de Évora, cidade onde estudou e viveu.

Um bocadinho mais a norte, Raúl Castro, eleito presidente da Câmara Municipal de Leiria em 2009 pelo Partido Socialista, naquela que foi a primeira vitória de um partido de esquerda no concelho, quer protagonizar um regresso à Câmara Municipal da Batalha onde foi presidente entre 1989 e 1997, na altura com o apoio do CDS. No entanto, Castro não quer ‘saltar’ de uma câmara para a outra, uam vez que em 2019 interrompeu o seu terceiro e último mandato para assumir o lugar de deputado na Assembleia da República, deixando o seu vice-presidente Gonçalo Lopes. Curiosidade: nesta terceira investida, Raúl Castro candidata-se à frente de um movimento independente.

Em Mangualde, João Azevedo deixou o terceiro mandato a meio, em 2019, para assumir o cargo de deputado na Assembleia da República, ao qual se tinha candidatado como cabeça de lista do PS no distrito de Viseu. Foi substituído pelo seu vice-presidente, Elísio Oliveira. E agora é o candidato à Câmara Municipal de Viseu, autarquia que nunca foi liderada por um partido que não fosse o CDS ou PSD.

Dentro do Partido Social Democrata também há um caso, o de Fermelinda Carvalho que está no fim do terceiro mandato à frente da Câmara de Arronches e é candidata à Câmara Municipal de Portalegre.

Nos restantes casos, há presidentes de câmara a candidatarem-se à presidência de Assembleias Municipais. No que diz respeito a autarcas do PS é esse o caso de Gonçalo Rocha (Castelo de Paiva), Nelson Brito (Aljustrel), Jorge Rosa (Mértola), Miguel Costa Gomes (Barcelos), Maria de Lurdes Castanheira (Góis), Humberto Oliveiro (Penacova), Bengalinha Pinto (Viana do Alentejo) e Humberto Cerqueira (Mondim de Basto).

Existem três casos semelhantes numa versão alaranjada. Isaura Morais, que interrompeu o terceiro mandato consecutivo à frente da Câmara Municipal de Rio Maior para assumir o lugar de deputada no Parlamento, volta à terra que a viu crescer para assumir o lugar de candidata a presidente da Assembleia Municipal. Em Penedono, o ainda presidente Carlos Esteves Carvalho é igualmente candidato a este órgão municipal, assim como Carlos Rodrigues em Vila do Porto.

Na CDU existem também dois exemplos. Em Alpiarça, Mário Pereira é candidato a presidir a Assembleia Municipal, assim como Luis Simão em Mora.

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