Hoje, no Tribunal Judicial de Guimarães, foi lido o acórdão, tendo a arguida sido condenada a quatro anos de prisão, com pena suspensa.

Para a suspensão da pena, a arguida terá de se submeter a tratamento psiquiátrico.

A indemnização de 16 mil euros foi entretanto acordada entre as partes.

Inicialmente, fonte do município tinha dito que não chegou a haver acórdão, uma vez que as partes teriam chegado a acordo e o procedimento criminal ficara sem efeito.

Na primeira sessão do julgamento, a arguida, de 37 anos, que na altura dos factos trabalhava na escola como assistente operacional, confessou os crimes, alegando que atuou num quadro depressivo e que sentia “fascínio pela confusão” que gerava.

Acrescentou que, logo após atear os fogos, era ela própria quem se encarregava de os tentar apagar ou de pedir ajuda.

Disse que, na altura, estava descompensada, porque tinha deixado de tomar a medicação para a depressão, por ser “muito cara” e atravessar problemas financeiros.

Sublinhou que nunca quis provocar danos materiais ou humanos e que nunca quis prejudicar a Câmara, lembrando que, na altura, ela própria tinha um filho a estudar na escola em questão.

“Era um impulso forte que não conseguia controlar, uma coisa estranha. Não queria que o fogo se alastrasse, não queria magoar ninguém, era só mesmo pelo fascínio por aquela confusão toda”, acrescentou.

Os factos reportam-se a 2017, tendo três incêndios sido registados em março, no Centro Escolar Padre Dr. Joaquim Santos, em Cabeceiras de Basto.

A arguida deixou de trabalhar na escola, mas regressou em setembro, mês em que se registaram novos focos de incêndio.

Duas salas ficaram completamente destruídas, havendo ainda registo de vário equipamento consumido pelas chamas.

Face a esta situação, e suspeitando de problemas relacionados com a questão elétrica, a Câmara decidiu pedir estudos a várias entidades externas, tendo entretanto mantido a escola encerrada.

Durante mais de um mês, os mais de 350 alunos que frequentavam aquele centro escolar foram deslocados para outras escolas.

A arguida fora, entretanto, colocada a trabalhar na Piscina do Arco de Baúlhe, onde se voltaram a registar incidentes do mesmo género, nomeadamente envolvendo o carro de serviço de um vereador.

[Notícia corrigida às 22:29 — retifica as informações prestadas à Lusa pelo município, que estavam erradas, relativas a uma alegada desistência da queixa]

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