"Confesso que não consigo entender a polémica que se gerou. Este é um investimento fundamental para criar um grande anel entre o Cais do Sodré (linha Verde) e o Campo Grande (linha Amarela)", afirmou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, no âmbito da cerimónia de assinatura da primeira empreitada do plano de expansão da rede do Metropolitano de Lisboa, que decorreu na sede social da empresa, no centro da capital, onde todas as pessoas usaram máscara e foram sujeitas a medição da temperatura, devido à pandemia da covid-19.

Quanto ao anel que se vai criar com a linha Circular, o ministro disse que tem duas funções primícias, nomeadamente "criar mais oferta onde há mais procura, e havendo, obviamente, horas de ponta, mais contínua ao longo do dia".

"Resolvido o problema de mobilidade no coração da cidade de Lisboa ou, se preferirem, no coração da Área Metropolitana de Lisboa, é mesmo tempo de começar a pensar em estender as linhas axiais", declarou João Matos Fernandes, considerando que sem o prolongamento das linhas Amarela e Verde, entre as estações Rato - Cais do Sodré, "é impossível pensar-se na extensão" da rede do Metropolitano.

Para o ministro do Ambiente, o mais difícil num sistema de transportes coletivos é ser capaz de ajustar a oferta à procura, pelo que a construção da linha Circular pode "melhor servir não só quem circula em Lisboa como quem vem de fora de Lisboa".

"Vamos servir melhor o Cais Sodré, que é o mais importante polo de transportes na cidade de Lisboa e em toda a Área Metropolitana, porque aí chegam vários dos navios que vem da Margem sul e aí acaba a linha de Cascais", sustentou o governante, considerando que “é absolutamente fundamental que exista uma maior oferta no Cais do Sodré”.

O Metropolitano de Lisboa assinou hoje o contrato para a primeira empreitada do plano de expansão da rede, que prevê o prolongamento das linhas Amarela e Verde, num investimento de 48,6 milhões de euros, que aguarda visto prévio do Tribunal de Contas.

“Ainda este ano vamos iniciar a obra e dentro de três anos teremos esta obra concluída”, avançou o ministro do Ambiente e da Ação Climática.

Desvalorizando a alteração ao Orçamento do Estado para 2020, aprovada na especialidade na Assembleia da República, para a suspensão do projeto de construção da linha circular do Metro de Lisboa, uma vez que o entendimento do Presidente da República foi de que se trata de uma recomendação, João Matos Fernandes reforçou que “é absolutamente claro que o poder executivo é do Governo”, pelo que “a obra corre sem sobressalto”.

Quanto à resposta da Comissão Europeia que disse que os fundos destinados à linha Circular podem ser transferidos para outros projetos, que têm de ser concluídos até final de 2023, o governante sublinhou que “os 83 milhões de euros que estão afetos a este projeto vão ser aplicados na expansão do Metro de Lisboa”.

“Não há qualquer forma de poder dar um sentido igualmente útil a esses mesmo 83 milhões de euros, e serão investidos e são um parcela significa do investimento na construção da linha Circular”, referiu o ministro do Ambiente, que tutela os transportes urbanos.

Relativamente ao prolongamento da linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa, com a construção de estações nas Amoreiras, Campo de Ourique, Infante Santo e Alcântara, que “custa o dobro” da linha Circular, João Matos Fernandes adiantou que “o projeto está muito adiantado”, referindo que falta conseguir financiamento para avançar com a obra.

“A linha Circular é mesmo fundamental para que, depois, as linhas radiais possam então ser ampliadas”, reforçou o governante, lembrando que o Plano Nacional de Investimentos tem 1,1 milhões de euros para investimentos nos sistemas de transporte da Área Metropolitana de Lisboa, o que permite, se tal for decidido, obras para que o Metropolitano chegue a outros concelhos.

Além da construção da linha Circular, o ministro destacou o investimento de “aproximadamente 14 milhões de euros”, nomeadamente nas estações dos Olivais, obra que foi concluída em fevereiro e na qual foram investidos 3,8 milhões de euros, do Areeiro, intervenção que estará concluída em julho, e de Arroios, que “está em plena obra” para permitir que a plataforma receba seis carruagens.

(Artigo atualizado às 21:13)

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