“Os aliados jamais reconhecerão a anexação, ilegal e ilegítima, da Crimeia pela Rússia. Os simulacros de referendo que serão organizados nas regiões de Donetsk, Lugansk, de Zaporíjia e Kherson [sobre a integração destes territórios da Federação da Rússia] não têm qualquer legitimidade e constituem uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas. Os países da NATO não reconhecem a anexação destes territórios, que será considerada ilegal e ilegítima. As regiões em causa pertencem à Ucrânia. A Rússia procura de forma evidente garantir ganhos territoriais, e apelamos a todos os Estados que se oponham a estas iniciativas”, indica o texto.

Nas conclusões da reunião, o Conselho do Atlântico Norte da NATO também considera que a decisão da Rússia em decretar uma mobilização parcial constitui uma “nova escalada da guerra que promove com total ilegalidade” contra a Ucrânia, e rejeita o “discurso irresponsável” de Moscovo no campo do nuclear.

“A Rússia possui os meios de terminar com o conflito. Deve imediatamente pôr termo a esta guerra e retirar-se da Ucrânia”, indica o comunicado.

O Conselho do Atlântico Norte da organização militar aliada ocidental também reafirma o seu “compromisso sem falhas à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia no interior das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas”, e ao seu “direito natural à legítima defesa”, com os Estados-membros a comprometerem-se num “apoio político e prático à Ucrânia, que continua a defender-se da agressão perpetrada pela Rússia”.

Por fim, o comunicado sublinha que a NATO “é uma aliança defensiva” e prosseguirá empenhada “na paz, segurança e estabilidade no conjunto da zona euro-atlântica”, frisando ainda a sua “unidade e determinação a defender e proteger cada centímetros quadrado do território da Aliança”.

Os referendos sobre a adesão dos territórios ucranianos de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson à Federação russa começam sexta-feira e decorrem até 27 de setembro, indicaram as autoridades pró-russas dessas regiões.

Os parlamentos das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, reconhecidas pelo Kremlin a 21 de fevereiro passado, convocaram um referendo de integração na Rússia entre hoje e 27 de setembro, ao qual se juntaram as regiões de Kherson e Zaporijia, parcialmente sob domínio russo.

O anúncio oficial de realização dessas consultas populares para anexação dos territórios ucranianos sob ocupação russa foi feito num discurso à nação proferido na quarta-feira pelo Presidente russo, Vladimir Putin, juntamente com o da mobilização de 300.000 reservistas russos para combater na Ucrânia e de uma ameaça velada de utilização de armas nucleares contra o Ocidente.

De imediato surgiram críticas dos países ocidentais e organizações internacionais ao discurso de Putin, que classificaram como uma nova tentativa de escalada do conflito por parte do chefe de Estado russo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também se pronunciou sobre tais declarações, afirmando-se “profundamente preocupado” com os planos de Moscovo de efetuar referendos sobre a adesão de territórios ucranianos ocupados à Federação russa.

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