José Faustino falava na comissão parlamentar de Cultura e Comunicação, no âmbito da audiência da entidade para apresentação de propostas para a defesa da rádio e da comunicação social.

"Deixo duas sugestões", afirmou José Faustino, salientando que, tendo em conta a crise que o setor atravessa, dever-se-ia "criar um estatuto próprio" para a comunicação social.

"Temos o setor público, privado, social e outro para a comunicação social", prosseguiu.

A criação deste estatuto próprio "permite uma data de isenções", sublinhou o presidente da APR.

"Talvez seja possível fazer um diploma que abranja tudo o que tem a ver com estes apoios e benefícios para a comunicação social", acrescentou.

Durante a sua intervenção, o presidente da APR criticou as rádios que relatam notícias que são divulgadas nas redes sociais.

Isto "porque nem as redes sociais dão notícias, nem a rádio tem nada que falar nas redes sociais", apontou o responsável.

E sobre as 'fake news' [desinformação], José Faustino foi categórico: "Não existem na comunicação social".

José Faustino sublinhou que, enquanto detentores de carteira profissional, os jornalistas têm "obrigações deontológicas" e, como tal, não produzem 'fake news'.

"As 'fake news' é de uma rapaziada a que eu chamo, não da comunicação social, mas da comunicação pessoal", prosseguiu.

O presidente da APR aproveitou para tecer críticas àqueles que apontam as 'fake news' como responsáveis pela eleição do Presidente norte-americano, Donald Trump, considerando que a eleição de Barack Obama foi obtida de uma forma semelhante.

"Quando o Obama ganhou nos Estados Unidos aquilo foi uma maravilha, estava tudo encantado, veio o maluco do Trump está tudo estragado. O método foi igual, a empresa era a mesma. Tenham santa paciência, é tudo igual", enfatizou o presidente da APR.

O responsável pediu ainda que deixassem de tratar a rádio como "parente pobre".

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