No dia 26 de dezembro, o tribunal chinês condenou o ativista Wu Gan a oito anos de prisão por subversão do poder do estado. Wu, commumente conhecido pelo seu pseudónimo "Super Vulgar Butcher", falava regularmente sobre questões sensíveis relacionadas com o abuso de poder do governo, tanto no mundo online como fora dele. Wu Gan já tinha estado em prisão preventiva há mais de dois anos, depois de organizar um protesto junto de um tribunal.

No mesmo dia do julgamento de Wu, o advogado dos direitos humanos Xie Yang foi também julgado, mas não punido, depois de se ter declarado culpado de acusações de subversão. Enquanto estava detido, Xie relatou ter sido torturado, espancado e ameaçado pelos interrogadores.

As detenções de ambos aconteceram em 2015, pouco antes de uma repressão sem precedentes contra advogados e defensores de direitos humanos, com mais de 100 pessoas detidas ou interrogadas pelas autoridades chinesas por todo o país. Esta onda de repressão aconteceu quando o presidente Xi Jiping garantiu que ia fortalecer o estado de direito na China.

Numa declaração, Patrick Poon, investigadora da Amnistia Internacional, diz que a China já tem um historial na realização de julgamentos aos ativistas dos direitos humanos na época de Natal: “são realizados julgamentos injustos e impostas sentenças politizadas aos defensores dos direitos humanos no momento em que os diplomatas, jornalistas, observadores estrangeiros, e o publico em geral está menos propenso a poder responder a um calculismo cínico político”.

Patrick Poon acusa o governo chinês de tentar evitar "o escrutínio da imprensa e da comunidade internacional", uma vez que "sabe bem que os julgamentos são falsos e não podiam resistir a esse escrutínio".

Vejamos, nos últimos anos, os ativistas que foram julgados ou detidos durante o período natalício, uma listagem compilada pelo Quartz:

2016: no dia 26 de dezembro, o ativista Chen Yunfei foi julgado sob a acusação de “provocar brigas e problemas”, depois de ter sido detido por organizar uma celebração memorial para as vítimas do massacre de Tiananmen, em 1989. Chen foi sentenciado com 4 anos de prisão.

2015: No dia 22 de dezembro, o advogado de direitos humanos Pu Zhiqiang teve uma pena suspensa de três anos por fazer críticas ao partido comunista. As provas usadas contra Pu - que defendia o artista Ai Weiwei - foram mensagens suas escritas no Weibo, a versão chinesa do Twitter.

2011: No dia 26 de dezembro, o escritor dissidente Chen Xi foi condenado a 10 anos de prisão por subversão, depois de publicar artigos online com críticas ao Partido Comunista. Três dias antes, o colega Chen Wei foi também condenado por razões similares.

2009: No dia de Natal, o vencedor do prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo teve uma sentença de 11 anos de prisão também por subversão, uma vez que foi co-autor de um manifesto político que pedia uma transformação da política na China.

2007: No dia 27 de dezembro, um ativista ambiental e focado na questão da vírus HIV, Hu Jia, foi condenado a três anos e meio de prisão, acusado de subverter o poder do estado. Ju continua a viver sob uma vigilância apertada em Beijing.

2006: No dia 22 de dezembro, o advogado de direitos humanos Gao Zhisheng, conhecido por defender os direitos dos membros e agricultores da Falun Gong, foi condenado a três anos de prisão por subverter o poder do estado.

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