"Hoje é o dia em que o PCP diz ‘ou vai ou racha'?. Sente-se traído, desiludido, enganado pelo PS, seu parceiro nesta coligação. Pensava que chegava ao Governo e o PS abriria as portas para a revolução gloriosa do PCP? O PCP anda em busca da revolução perdida", ironizou o deputado do PSD Adão Silva, questionando ainda se se vai ouvir novamente as palavras de ordem "a luta continua, Governo para a rua".

O democrata-cristão Filipe Anacoreta Correia também resumiu a discussão dos 10 projetos de lei de PCP, BE e PEV e do projeto de resolução "moderado" do CDS-PP a uma conclusão: "Foi claro que o PS deu uma ‘tampa' à extrema esquerda".

"Para o discurso politiqueiro de PSD e CDS não há tempo nem paciência", desabafou o deputado comunista António Filipe, referindo os "últimos anos de agressão aos direitos dos trabalhadores".

"Não é aceitável que tudo possa continuar na mesma como se a ‘troika' ainda cá estivesse. Como se explica que a situação económica do país melhore e os lucros das empresas aumentem e os direitos dos trabalhadores fiquem na mesma ou possam piorar por imposição patronal?", indignou-se.

A bloquista Joana Mortágua comparou a precariedade laboral e flexibilidade de horários atuais às "praças de jorna e ao trabalho de sol a sol há 100 anos".

"Aquilo que mudou não foi que os patrões eram maus e agora são melhores, foi que os trabalhadores lutaram por leis que os protegessem. Aquilo que vocês [oposição] quiseram e querem alterar são essas leis. Só acha que estas propostas são do passado quem quer um futuro pior", disse, lamentando que as alterações fossem "travadas pelo PS e as direitas encostadas".

O socialista Tiago Barbosa Ribeiro reafirmou "o rumo com os aliados parlamentares (BE, PCP e PEV)" para "o sucesso através do diálogo com todos os atores, incluindo a concertação social".

"Este debate mostra que um acordo de convergência não é um acordo de fusão", sublinhou, destacando a "pluralidade de visões" da maioria e elogiando o "novo modelo económico, com mudanças que deram estabilidade ao país e normalizaram as relações sociais", conduzindo ao "sucesso de Portugal", em vez do "maior ciclo de empobrecimento, emigração e quebra de rendimentos" protagonizado por PSD e CDS-PP e a sua "força redentora da austeridade", com a qual "procuraram destruir o contrato social".

Em discussão estavam quatro projetos de lei do PCP para revogar os mecanismos do banco de horas na função pública, de bancos de horas individual e grupal no Código do Trabalho e repor o princípio do tratamento mais favorável do trabalhador e o fim da caducidade nas convenções coletivas.

Igualmente para eventual votação no final da sessão plenária havia cinco iniciativas do género do BE, um projeto de lei de "Os Verdes" sobre a contratação coletiva e um projeto de resolução do CDS-PP no sentido de o executivo do PS indagar o atual número de trabalhadores abrangidos pela flexibilidade de horários.

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