Entre 30.000 e 50.000 norueguesas, apelidadas de "mulheres alemãs", mantiveram relações íntimas com soldados alemães durante a guerra, de acordo com uma estimativa do Centro Norueguês sobre o Holocausto e minorias religiosas.

Além das humilhações públicas como ter tido o cabelo rapado, estas mulheres sofreram retaliações por parte das autoridades da Noruega libertada: detenções sem fundamento legal, internamento sem julgamento, demissões, expulsões e privação da nacionalidade, todas elas ações de caráter inconstitucional.

"Logo após a Libertação, muitas meninas e mulheres norueguesas que tinham tido relações com soldados alemães, ou eram suspeitas [disso], foram vítimas de maus tratos", declarou a primeira-ministra norueguesa Erna Solberg durante um evento para comemorar o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

"Hoje, em nome do governo, pedir desculpa", afirmou.

Este pedido de desculpa, que ocorre 73 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando poucas dessas mulheres ainda estão vivas, não significa qualquer compensação financeira para as famílias afetadas.

Durante a guerra, mais de 300.000 soldados alemães ocuparam a Noruega, país neutro mas invadido pelos nazis a 9 de abril de 1940.

"Nós não podemos dizer que as mulheres que tiveram relações com os alemães tomaram parte no esforço de guerra alemão. O seu crime foi de violar regras tácitas e normas morais", indicou a historiadora Guri Hjeltnes, qui dirige o Centro Norueguês de Estudos sobre Holocausto e minorias religiosas.

"Elas foram, no entanto, castigadas de forma muito mais severa do que aqueles que se aproveitaram da guerra", apontou.

Nenhum dos 28 noruegueses que se casaram durante a guerra com mulheres alemães foi expulso ou privado da sua nacionalidade.

Em 2000, Oslo pediu desculpas às cerca de 12.000 crianças nascidas de mães norueguesas e soldados alemães devido ao programa de reprodução nazi Lebensborn, que também sofreram discriminação.

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