As temperaturas descem, os casos sobem. Caberá a outras mentes encontrar as direções das proporcionalidades, mas parece praticamente inegável que há uma qualquer ligação. Os fatores que a determinam também não será aqui que os descobriremos, mas, como vários podem ser, nenhum podemos concretizar. Afinal, apesar das vacinas, o inverno de 2021 até parece semelhante ao de 2020 (dizemos parece e apenas podem ser parecenças mesmo. Porque a escala de novos casos e mortes é incomparavelmente menor, como nos mostraram as contas do Infarmed).

Portugal segue atrás da Europa. Praticamente só na última semana os números de novos casos começaram a ganhar um tamanho daqueles que fazem pôr em segundo destaque as notícias acerca da crise política, virando as câmaras e os títulos de volta para a covid-19. Poderá ser que aqui neste nosso canto das traseiras do continente a exemplar vacinação permita evitar uma repetição da tragédia com que começámos 2021.

Lá fora, a crise desenhou-se há mais tempo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) manifestou hoje grande preocupação com o aumento de casos de covid-19 na Europa e advertiu que cerca de 500 mil pessoas podem morrer até março de 2022 se não forem tomadas medidas urgentes. Apesar disso, as restrições decididas esta semana por muitos governos levaram este sábado milhares em protesto para as ruas na Áustria, mas também na Irlanda do Norte, Países Baixos, Itália, Suíça e Croácia.

Dezenas de milhares de manifestantes, muitos membros de grupos de extrema-direita, marcharam em Viena, depois de o governo austríaco ter anunciado um confinamento nacional a partir de segunda-feira. O confinamento na Áustria, que começou por ser só para não vacinados, passa a ser para todos na segunda-feira e por um período mínimo de 10 dias, surgindo depois de as mortes diárias terem triplicado nas últimas semanas e os hospitais dos estados mais atingidos avisarem que estão a atingir o limite da capacidade.

O governo também tornará obrigatória a vacinação no país, onde menos de 66% da população está vacinada, uma das taxas mais baixas da Europa Ocidental.

Na Suíça, duas mil pessoas protestaram contra um referendo sobre a aprovação da lei que permite a imposição de restrições, alegando que é discriminatória, informou a emissora pública SRF.

Um dia depois dos tumultos em Roterdão, em que a policia disparou para por fim a motins e sete pessoas ficaram feridas, milhares de pessoas reuniram-se numa praça central de Amesterdão, apesar dos organizadores terem cancelado o protesto. Caminharam pacificamente pelas ruas da cidade, acompanhados de perto pela polícia. Algumas centenas de pessoas também marcharam nas ruas da cidade de Breda, no sul da Holanda, para protestar contra as restrições.

Em Itália, 3.000 juntaram-se em torno do Circo Maximus, em Roma, para protestar contra a exigência do certificado que garante que se está vacinado ou livre da covid-19 para aceder aos locais de trabalho, restaurantes, cinemas, teatros, recintos desportivos e ginásios, bem como para viagens de longa distância de comboio, autocarro ou ‘ferry’.

Já na Irlanda do Norte, várias centenas de pessoas que se opõem ao certificado covid-19 protestaram à porta da câmara municipal de Belfast. O governo da Irlanda do Norte decidiu esta semana restringir horários e tornar o documento obrigatório para admissão em clubes noturnos, bares e restaurantes.

Na Croácia, milhares de pessoas reuniram-se na capital, Zagreb, carregando bandeiras croatas, símbolos nacionalistas e religiosos, juntamente com bandeiras contra a vacinação e o que descrevem como restrições às liberdades das pessoas.

E em França, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, condenou os violentos protestos na ilha caribenha de Guadalupe, um dos territórios ultramarinos da França, onde 29 pessoas foram detidas pela polícia, quando protestavam contra a decisão de impor um recolher noturno – das 18.00 às 05:00 locais - a partir de terça-feira.

Com dois anos disto, já todos sabemos que não vai ficar tudo bem. A covid-19 provocou pelo menos 5.130.627 mortes em todo o mundo, entre mais de 255,49 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse, divulgado na sexta-feira. Só em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.310 pessoas e foram contabilizados 1.119.784 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde de hoje.

Não é possível ficar tudo bem. Torna-se difícil continuar a defender a imperiosa necessidade de salvaguardar o outro, de conter os nossos comportamentos para salvar vidas alheias. Mas é precisamente por já nada estar bem que é cada vez mais importante fazer todos os possíveis, todos os esforços e empenhos para atravessar este inverno sem que caiam mais pessoas do barco.

Porque o seu tempo é precioso.

Subscreva a newsletter do SAPO 24.

Porque as notícias não escolhem hora.

Ative as notificações do SAPO 24.

Saiba sempre do que se fala.

Siga o SAPO 24 nas redes sociais. Use a #SAPO24 nas suas publicações.