Segundo um relatório de agências da ONU e de organizações não-governamentais, “501.800 novas chegadas foram registadas até 27 de setembro” ao Bangladesh desde 25 de agosto, quando começou o recente fluxo de refugiados rohingya desde a Birmânia para o Bangladesh.

Ainda assim, o relatório indica que nos últimos dias o fluxo de refugiados na fronteira diminuiu.

As Nações Unidas têm exigido nas últimas semanas o acesso ao norte do estado de Rakhine, cenário de violência desde que um ataque por parte de um grupo rebelde da minoria rohingya contra postos policiais birmaneses motivou uma resposta do exército da Birmânia que já foi classificada pela ONU como “limpeza étnica”.

“A visita organizada pelo governo birmanês foi adiada para a próxima semana devido ao mau tempo”, disse hoje um porta-voz das Nações Unidas na Birmânia, sem avançar nova data para a visita.

Desde o início da violência, no final de agosto, que o exército birmanês tornou inacessível a organizações humanitárias a região norte do estado de Rakhine.

O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, considerou na quarta-feira que o anúncio desta visita foi “um grande passo” para um acesso “muito mais livre e amplo na zona”.

Neste momento, a ação das autoridades birmanesas continua limitada a uma “viagem organizada” que deverá permitir aos responsáveis humanitários avaliar a situação.

Nessa região, dezenas de aldeias foram reduzidas a cinzas e milhares de rohingyas deslocaram-se ou esconderam-se nas florestas, sobrevivendo com pouca comida e sem ajuda médica.

A Birmânia afirmou hoje estar pronta para começar a “verificação” dos refugiados rohingya que fugiram do país, mas que tenham intenções de regressar.

No entanto, a maior parte dos refugiados, questionados pela agência France-Presse, referiu que neste momento é impossível regressarem porque as suas aldeias estão destruídas.

A violência e a discriminação contra os rohingyas, muçulmanos, intensificaram-se nos últimos anos.

Tratados como estrangeiros na Birmânia, um país onde mais 90% dos habitantes são budistas, os rohingya são a maior comunidade apátrida do mundo.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, têm sido submetidos a muitas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).