Cinco anos depois, os defensores dos direitos humanos consideram que o regime de Abdel Fatah al-Sissi, o ex-comandante-chefe do exército que depôs o presidente islamita Mohamed Mursi em 2013, é "mais repressivo" do que o de Mubarak. E não hesitam em denunciar novas mortes violentas nas esquadras da polícia, prisões indiscriminadas e desaparecimentos de opositores. Enquanto isso, a economia ainda não recuperou e o ramo egípcio do grupo Estado Islâmico (EI) multiplica os seus ataques.

Como tudo aconteceu

Foi a partir de 25 de janeiro de 2011 que milhões de egípcios saíram às ruas e se reuniram na praça Tahrir, no centro do Cairo, numa reação que se tornou o emblema da revolução promovida nas redes sociais. O exército abandonou Mubar,ak que foi substituído por uma junta militar que, em 2012, organizou as primeiras eleições parlamentares e presidenciais democráticas no país.

Essas eleições foram vencidas pela Irmandade Muçulmana e pelo seu líder, Mohamed Mursi. Mas um ano depois, a 3 de julho de 2013, o general Sissi depôs e prendeu Mursi, depois de muitos egípcios pedirem a sua renúncia.

Nas semanas seguintes, a polícia e os soldados mataram mais de 1400 dos seus partidários, prenderam mais de 15 mil membros da Irmandade Muçulmana e centenas de pessoas, incluindo Mursi, foram condenadas à morte em processos sumários, criticados pela ONU.

A repressão estendeu-se aos movimentos juvenis laicos e liberais que tinham impulsionado a revolta de 2011.

O clã Mubarak

Mubarak, com 87 anos e uma saúde frágil, passou a maior parte dos últimos cinco anos preso num quarto de um hospital militar, no Cairo, tendo chegado a comparecer no seu julgamento de maca.

Em 2012 foi condenado pela primeira vez a uma pena de prisão perpétua pela morte de centenas de manifestantes, mas a sentença foi anulada e um ano depois as acusações foram retiradas. Um novo julgamento foi iniciado mas até ao momento tem sido alvo de vários adiamentos.

Em maio de 2015, Mubarak foi condenado, em conjunto com os filhos Alaa e Gamal, a três anos de prisão por apropriação indevida de dinheiro público. Em outubro desse ano, um tribunal libertou os filhos do ex-Presidente egípcio, argumentando que a sentença já tinha sido cumprida com a prisão preventiva, enquanto Mubarak permaneceu no hospital militar. Alaa, um rico empresário, e Gamal, considerado o sucessor do seu pai, passaram a viver uma vida discreta, mas muito confortável.

Muitos ex-altos funcionários do regime de Mubarak também foram julgados por corrupção, mas foram posteriormente absolvidos ou condenados a penas pequenas.

O Egito do presente

A imprensa também ajudou na reabilitação do clã Mubarak e dos líderes do antigo regime aos olhos do público. O sucesso foi de tal maneira evidente que alguns ex-dirigentes voltaram ao parlamento, nas eleições legislativas de 2015, dentro do bloco que apoia Sissi.

Muitos analistas políticos acreditam que, com a destituição de Mursi e a eleição de Sissi, que não tinha oposição, em 2014, o exército fechou um período democrático anormal na história do Egito, desde o estabelecimento da República, em 1953. A consequência é que o país continua a ser liderado por homens fortes, todos militares, como foram Gamal Abdel Nasser ou Anwar el Sadat.

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