Tabarnia. O termo surgiu nos assuntos do momento da rede social Twitter, valeu uma partilha e um comentário da líder da lista vencedora das eleições catalãs do passado dia 21 de dezembro (21-D), Inés Arrimadas, e foi uma das palavras mais pesquisadas no Google nos últimos dias.

Também conhecida por Plataforma para Autonomia de Barcelona, a Tabarnia é um movimento contrário ao separatismo catalão - ao envergar o slogan “Barcelona não é a Catalunha” - e pede uma nova região autónoma formada por parte de Tarragona e Barcelona e assim “isolá-los da ameaça separatista”, afirmam os promotores da iniciativa.

Se olharmos para o mapa Catalão com base no resultado das eleições 21-D vemos que a população a favor do separatismo se concentra nas províncias de Girona e Lleida, em comparação com as províncias de Tarragona e Barcelona - entre Barcelona e Girona a diferença chega praticamente aos 20 pontos percentuais.

créditos: bncisnotcat.es/DR

E por isso o movimento reivindica: “Barcelona não é a Catalunha”. E insiste no movimento a que lhe deu o nome de Tabarnia, numa junção entre Barcelona e Tarragona - "o termo Tabarnia é um neologismo para denominar os territórios costeiros entre Tarragona e Barcelona que compartilham características e desejos comuns, claramente diferenciados do resto da comunidade autónoma", pode ler-se no site -, separando assim a “ameaça separatista” e a “Catalunha rural e pobre” representada por Girona e Lleida. Argumentos, curiosamente, idênticos aos utilizados pela Catalunha para se separar de Espanha.

A primeira assembleia constituinte desta associação teve lugar em setembro de 2012, conta o 'El Periódico', mas grande parte dos seus membros passou para as primeiras filas da Societat Civil Catalana - uma associação que também se opõe ao independentismo catalão -, o que provocou uma grande quebra na atividade do movimento. Apesar disso, a associação ressurgiu agora com mais força, aproveitando o ‘pelouro’ eleitoral das últimas eleições.

Mas o que é que distingue a Tabarnia da restante Catalunha? Os impulsionadores do movimento argumentam com a existência “uma alta densidade populacional; uma relação comercial intensa com o resto da Espanha; orgulho no bilinguismo; mentalidade aberta e maioria de votos não separatistas”.

E tal como a Catalunha fala de Espanha, a Tabarnia fala da Catalunha, afirmando que há uma pilhagem fiscal para a província de Barcelona. "A Generalitat paga 32% a mais do que aquilo que recebe", explicam num dos gráficos que a plataforma colocou a circular nas redes sociais e que foi publicado pelo 'El País'. "Na Tabarnia, em vez de financiar aeroportos vazios, como em Lérida ou em Girona, as portagens serão eliminadas", dizem.

A Tabarnia produtiva opor-se-ia à Catalunha subsidiada, sublinham os seus dinamizadores. As queixas estendem-se ainda à lei eleitoral, pois consideram que é injusto para a província de Barcelona. "Aqui para obter um deputado regional são precisos 46 mil votos. Em Lérida, 20 mil ". Os partidos catalães não conseguiram chegar a acordo sobre uma nova norma eleitoral e a em vigor é a aprovada pelas Cortes espanholas em 1985.

De acordo com os resultados oficiais do 21-D, as forças pró-independência somaram 63% dos votos em Girona, contra 43% em Barcelona, província na qual os Ciudadanos, o PSC e o PP - ou seja, forças anti-independência - obtiveram 46%. Em Lleida, o Junts per Catalunya, a ERC e a CUP obtiveram 64% dos votos. Em Tarragona, 49%.

Um referendo e uma bandeira própria

‘Barcelona não é a Catalunha’ conta também com um perfil no Twitter, onde vão difundindo as suas propostas. Entre estas, destaca-se a petição de um referendo “como a Inglaterra fez com a Escócia ", um 'Tabarnexit', para poder demonstrar que o" interior da Catalunha, o que vota Puigdemont, quer uma coisa e Tabarnia quer outra". E até já há uma data para levar o povo às urnas: outubro de 2019.

créditos: bcnisnotcat.es/DR

Mas o movimento não se fica por aqui. Também há uma bandeira própria que resulta de uma mistura das bandeiras de Tarragona e Barcelona e até revelam que os primeiros nomes que estiveram para ser “Tabarnes ou Tabarnesa”.

Entre as reações à proposta destaca-se a do deputado da ERC no Congresso, Gabriel Rufián, que compartilhou nas redes uma imagem de Arcadi Espada, Salvador Sostres, Juan Carlos Girauta e Carlos Herrera acompanhada pela mensagem: "O Governo de Tabarnia Deseja um feliz 1962".

Também Inés Arrimadas, vencedora das eleições 21-D, pelo Ciudadanos, partilhou um artigo sobre a Plataforma para Autonomia de Barcelona. “O nacionalismo defende uma Catalunha homogénea dentro de Espanha e da União Europeia onde se respeita e se entenda a pluralidade e diversidade”, escreveu Arrimadas.

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