As negociações à esquerda do Governo serão depois alargadas ao PAN e ao PEV, partidos que também viabilizaram orçamentos do Estado na anterior legislatura.

Na terças-feira, em declarações à RTP, em Budapeste, à margem de um encontro com o seu homólogo húngaro, António Costa salientou que sempre defendeu que os parceiros naturais do PS em matéria de governação são os partidos à esquerda, e insistiu que um sistema de "Bloco Central" seria "um fator de empobrecimento da democracia", não querendo isso "dizer que o PSD tenha peste".

"Estes últimos cinco anos têm sido cinco anos de sucesso para o país. E agora que temos uma nova crise pela frente, onde é muito claro que, ao contrário do que alguns temeram, a resposta adequada não vai ser o recurso à austeridade. Pelo contrário, é necessário unir os esforços e dar uma resposta positiva àquilo que é essencial, de forma a reforçar a nossa capacidade económica, de reforçar os apoios sociais e os serviços públicos essenciais, como o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", apontou.

Em entrevista à agência Lusa, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, rejeitou que tenha havido uma mudança estratégica por parte do executivo, designadamente nos últimos meses, após Portugal ter sido atingido pela covid-19.

"Tendo em conta o seu programa eleitoral e a anterior legislatura, o espaço natural de entendimento do Governo é o dos partidos à sua esquerda. São também os partidos ambientalistas. Foi com esses partidos que viabilizámos o Orçamento do Estado para 2020", declarou.

Na terça-feira, a coordenadora do BE, Catarina Martins, avisou que o partido só faz acordos por convicção e não por conveniência, colocando entre as suas prioridades a revisão das leis laborais, algo que o Governo tem rejeitado, e o reforço do Serviço Nacional de Saúde.

O PCP votou, por sua vez, votou contra o Orçamento Suplementar para 2020, o que foi interpretado como um sinal de demarcação dos comunistas face ao Governo socialista.

Pela parte do Governo, António Costa classificou como "errado" o sentido de voto dos comunistas, criticou os "joguinhos políticos" à esquerda do PS, mas destacou também declarações proferidas pelo presidente do Grupo Parlamentar do PCP, João Oliveira, segundo as quais o voto do seu partido tinha sido apenas contra o Orçamento Suplementar.

Na conferência de imprensa após a última reunião do Comité Central do PCP, no final de junho, o secretário-geral comunista manifestou disponibilidade para analisar o Orçamento do Estado para 2021 e o programa de recuperação económica, acentuando mesmo que não haveria qualquer "reserva mental" por parte do seu partido em relação a esses processos.

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