Em comunicado enviado à agência Lusa, a UÉ anunciou que o júri, reunido hoje, decidiu atribuir por unanimidade esta distinção a Ondjaki, “escritor, livreiro e artista de diversas disciplinas”.

O júri, na sua apreciação, destacou “o contributo que Ondjaki faz para que a língua portuguesa seja língua de reconciliação e mesmo de consciência crítica para todos os falantes de português”, acrescentou a UÉ.

Instituído pela UÉ em 1996, para homenagear o escritor que lhe dá o nome, o Prémio Vergílio Ferreira destina-se a galardoar anualmente o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante nos domínios da ficção e/ou ensaio.

Tal como nas edições anteriores, a cerimónia de entrega da edição de 2023 do galardão está agendada para 01 de março, data em que se assinala o aniversário da morte de Vergílio Ferreira (1916-1996), patrono do prémio e autor de "Aparição".

Ondjaki é o pseudónimo literário de Ndalu de Almeida, que nasceu em Luanda, em Angola, em 1977, e estudou Sociologia na Universidade de Lisboa.

As suas obras, evocou hoje a UÉ, incluem poemas, como “Actu sanguíneu”, contos, designadamente “Momentos de aqui”, livros infantis, como “A bicicleta que tinha bigodes”, ou romances, nomeadamente “Quantas madrugadas tem a noite” e “Bom dia, camaradas”.

O vencedor desta edição do galardão “escreve também peças de teatro e roteiros de cinema”, acrescentou a UÉ.

Em 2020, cumpriram-se os 20 anos da estreia literária de Ondjaki, contando a partir do livro de poesia "Actu Sanguíneu", e, ao longo da sua carreira, recebeu já diversas distinções.

Os prémios Sagrada Esperança, 2004, em Angola, António Paulouro, 2005, em Portugal, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, em 2007, e o Grinzane for Africa 2008, na categoria de melhor jovem autor, foram alguns galardões que recebeu, a que se junta o Prémio Literário José Saramago (2013), pelo seu romance “Os Transparentes”.

“Os seus livros foram traduzidos para francês, italiano, alemão, inglês, sérvio, polaco e sueco”, disse a UÉ, realçando que “em umbundu, uma das línguas nacionais angolanas, Ondjaki significa ‘guerreiro’”.

O júri desta edição do Prémio Vergílio Ferreira foi presidido pelo professor da UÉ Antonio Sáez Delgado, integrando ainda os docentes universitários Eunice Ribeiro, Fátima Freitas Morna e Elisa Nunes Esteves e o crítico literário Miguel Filipe Mochila.

Este galardão instituído pela UÉ foi atribuído, pela primeira vez, a Maria Velho da Costa, seguindo-se Maria Judite de Carvalho, Mia Couto, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Agustina Bessa-Luís e Manuel Gusmão.

Fernando Guimarães, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio, Mário de Carvalho, Luísa Dacosta, Maria Alzira Seixo, José Gil, Hélia Correia, Ofélia Paiva Monteiro, Lídia Jorge, João de Melo, Teolinda Gersão, Gonçalo M. Tavares, Nélida Piñon, Carlos Reis, Ana Luísa Amaral e Helena Carvalhão Buescu foram os outros galardoados.

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