As detenções dos jornalistas, entre 21 e 23 de setembro de 2001, seguiram-se à detenção, em 18 de setembro de 2001, de um grupo de políticos popularmente conhecido como o “G-15” e à proibição dos meios de comunicação independentes, após o grupo ter publicado uma carta apelando a reformas democráticas.

O governo do Presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, afirma que os detidos constituíam uma ameaça à segurança nacional.

“É inconcebível que estes corajosos prisioneiros de consciência ainda estejam a definhar na prisão, há 20 anos, desde que foram presos por exercerem os seus direitos humanos, sem notícias das autoridades sobre as suas circunstâncias atuais, e que a proibição dos meios de comunicação independentes continue em vigor”, denunciou o diretor da Amnistia Internacional (AI) para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena, numa declaração.

“Os dias transformaram-se em meses, meses em anos e agora os anos transformaram-se em décadas de angústia sem fim para estes detidos, as suas famílias e entes queridos. Apelamos ao Presidente Isaias Afwerki para que tome medidas significativas para pôr fim a esta farsa de justiça”, disse Muchena.

As autoridades eritreias rejeitaram repetidamente os apelos das famílias e dos ativistas dos direitos humanos para que os prisioneiros fossem formalmente acusados e julgados ou então libertados.

Entre os jornalistas detidos encontra-se Dawit Isaak, o vencedor do Prémio da Liberdade de Imprensa Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 2017.

Dawit, um dramaturgo, escritor e jornalista, emigrou para a Suécia em 1987, onde também adquiriu a cidadania.

Após a independência do seu país de origem em 1993, regressou à Suécia e esteve envolvido na fundação do primeiro jornal independente, “Setit”, onde trabalhou até à sua prisão.

Os políticos, todos membros da Frente Popular para a Democracia e Justiça (PFDJ) de Isaias, incluem o antigo vice-presidente Mahmoud Ahmed Sheriffo e a sua mulher e heroína da guerra da independência, Aster Fissehatsion, e os antigos ministros dos Negócios Estrangeiros Haile Woldetensae e Petros Solomon.

Isaias tem governado a Eritreia com mão de ferro desde que conduziu a Frente de Libertação do Povo Eritreia (EPLF) à vitória, em maio de 1991, pondo fim aos 30 anos de guerra pela independência da Etiópia.

O líder do único partido político legal da Eritreia, o PFDJ, tem sido acusado de totalitarismo e de violações dos direitos humanos por organizações internacionais.

Em 2021, a organização Repórteres sem Fronteiras classificou a Eritreia, sob o governo de Isaias, no último lugar dos países que constam do Índice de Liberdade de Imprensa.

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