“Ricardo Salles foi apenas um operador que cumpriu muito bem os planos do chefe. A política antiambiental segue a todo o vapor. (…) Salles nunca foi Ministro do Meio Ambiente. Sua conduta sempre gerou danos ambientais e investigações. Por esse motivo, ele pediu demissão da função que nunca cumpriu. Já vai tarde”, escreveu a ONG Greenpeace Brasil na rede social Twitter.

Já num comunicado divulgado no seu ‘site’, a Greenpeace indicou que, se por um lado a sociedade civil “recebe com alívio o pedido de demissão do ministro”, por outro “é evidente que a troca de peças por si só não deve mudar a estratégia do Governo, agora com o novo ministro Joaquim Álvaro Pereira Leite, antigo membro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), aliado aos interesses do agronegócio”.

Ricardo Salles, cuja gestão foi marcada por várias polémicas, pediu demissão na quarta-feira e Jair Bolsonaro nomeou para o cargo Joaquim Alvaro Pereira Leite, que já foi conselheiro da SRB, uma das organizações que representam o setor agropecuário no país.

Já o Observatório do Clima, uma rede que reúne entidades da sociedade civil brasileira para discutir mudanças climáticas, indicou que Salles deixa um “legado sombrio”.

“Dois anos de desflorestação em alta”, “dois recordes sucessivos de queimadas na Amazónia”, “26% do Pantanal carbonizado”, “omissão diante do maior derramamento de petróleo da história do Brasil”, “emissões de carbono em alta” e a “imagem internacional do país na lama” foram alguns dos pontos assinalados.

“Embora seja evidentemente um grande dia” para o Brasil, o Observatório reforçou que, enquanto Bolsonaro estiver no cargo, o meio ambiente e os povos indígenas não terão “um dia de paz” e o país continuará um “pária internacional e um risco climático planetário”.

A antiga ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à Presidência do Brasil Marina Silva foi outra das vozes que celebrou a exoneração de Salles.

“Vai tarde! Continuamos atentos para cobrar rigorosa punição por seus atos. A saída de Ricardo Salles é uma vitória da sociedade, mas ainda é uma vitória parcial; sabemos que ele era o operador da política nefasta e antiambiental de Bolsonaro. Seguimos na luta e resistindo”, escreveu, no Twitter.

“Quantas árvores precisaram de ser derrubadas para que Ricardo Salles também fosse? Falta cair somente o dono da ‘boiada'”, defendeu, por sua vez, o senador Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT), referindo-se à polémica expressão “boiada”, referida por Salles numa reunião ministerial no ano passado.

Na altura, Salles sugeriu ao executivo aproveitar o foco da imprensa na pandemia da covid-19 para aprovar “reformas infralegais de desregulamentação” na área ambiental e ir passando a “boiada” (fazer as coisas rapidamente).

Contudo, vários deputados da oposição viram a exoneração de Salles como uma forma de o Governo camuflar uma polémica que envolve alegadas irregularidade na compra da vacina indiana Covaxin contra a covid-19.

“Estratégia clara para mudar o foco da pauta: Salles deixa o cargo no dia em que vem à tona o caso da Covaxin. Weintraub [ex-ministro da Educação] deixou o cargo quando Queiroz [amigo de Bolsonaro] foi preso na casa do advogado dos Bolsonaro. Milicianos querem dividir as manchetes de novo”, escreveu no Twitter o deputado Paulo Pimenta, do PT.

Vários parlamentares da oposição pediram ao Supremo tribunal Federal que o passaporte de Salles seja apreendido para evitar uma eventual fuga para os Estados Unidos da América.

Ricardo Salles, que estava no cargo desde que Bolsonaro assumiu a Presidência, em janeiro de 2019, encontra-se a ser investigado por alegado favorecimento de madeireiros e por dificultar a fiscalização ambiental.

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