“Demos mais um passo para preparar o terreno para uma verdadeira negociação, que espero seja possível a breve trecho”, disse De Mistura ao Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque.

O diplomata deixou claro que “continua a haver muito por fazer” e “grandes divergências” entre as partes em aspetos fundamentais.

No entanto, considerou que os progressos feitos na sexta ronda de conversações, concluída na passada sexta-feira, elevaram as expectativas.

Segundo De Mistura, tanto o Governo como a oposição mostraram-se recetivos à sua intenção de convocar uma sétima ronda de negociações para junho.

Entre outras coisas, o mediador destacou que, pela primeira vez, todas as partes concordaram que se continue a trabalhar ao nível dos especialistas à margem das reuniões oficiais.

De Mistura argumentou que o trabalho dos especialistas não vai substituir as negociações formais, mas tentará aprofundar aspetos importantes abordados no diálogo para apresentar diversas opções.

O enviado especial da ONU para o conflito instou todos os atores, tanto sírios como internacionais, a prosseguirem os esforços para avançar na direção de uma solução política para a guerra civil que há seis anos devasta o país.

Para o responsável, ainda é necessário um maior “consenso internacional” e regional no futuro e que “os sírios vão além da retórica, dos pontos de partida e tentativas de deslegitimar o outro e entrem num verdadeiro processo de negociação”.

Sobre a situação no terreno, o enviado da ONU disse no Conselho de Segurança que a criação de zonas seguras, impulsionada em Astana pela Rússia, o Irão e a Turquia, se traduziu numa “redução significativa” da violência na maior parte dessas áreas.

Contudo, as hostilidades prosseguem em algumas zonas, o que gera preocupação com os civis encurralados entre as frentes de combate, pelo que reiterou o seu apelo para o respeito de um cessar-fogo em todo o país.

No total, seis séries de negociações indiretas foram organizadas por De Mistura desde 2016 junto ao lago Léman, sem se conseguir chegar a uma solução para pôr fim ao conflito, tendo o diálogo “encalhado”, de todas as vezes, no destino a dar ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, cujo abandono do poder a oposição exige.

Em seis anos, a guerra fez mais de 320.000 mortos, deslocou mais de metade da população síria e destruiu a economia e as infraestruturas do país.

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