“Recebemos reclamações preocupantes de que a polícia não tomou as medidas necessárias para preservar as provas na cena do crime o que poderia dificultar a investigação desta operação trágica e letal”, disse numa conferência de imprensa o porta-voz daquela agência das Nações Unidas, Rupert Colville.

Manifestando preocupação pelo resultado da operação na favela do Jacarezinho, na quinta-feira, Colville referiu que esta ação, a mais letal em mais de uma década no Rio de Janeiro, “confirma uma longa tendência ao uso desnecessário e desproporcional da força nas favelas, bairros pobres e marginalizados habitados predominantemente pela população negra.”

O porta-voz do alto-comissariado também descreveu como “especialmente preocupante” o facto de a operação policial ter sido organizada depois de em 2020 o Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima da justiça brasileira, ter ordenado a restrição deste tipo de medida de força nas favelas do Rio de Janeiro devido à pandemia de covid-19.

Colville solicitou ao procurador-geral brasileiro que inicie uma investigação completa e imparcial dos acontecimentos “de acordo com os padrões internacionais”, garantindo assim a segurança das testemunhas e que sejam protegidas “de qualquer intimidação ou tentativa de retaliação”.

“Também convocamos um debate amplo e inclusivo no Brasil sobre o atual modelo de policiamento das favelas”, acrescentou o porta-voz.

A operação na favela do Jacarezinho, em que se registou um intenso tiroteio na madrugada de quinta-feira, causou a morte de um polícia e de pelo menos 24 suspeitos de pertencerem ao grupo criminoso Comando Vermelho (CV).

Pelo menos três soldados e outros dois civis ficaram feridos ao serem atingidos por balas perdidas enquanto viajavam dentro de um metropolitano da cidade no momento da operação da polícia civil do Rio de Janeiro.

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