"As conclusões preliminares indicam que 12 civis foram mortos no domingo durante um ataque aéreo na província de Wardak (centro) durante operações lideradas por forças pró-Governo", disse hoje em comunicado a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA, na sigla em inglês).

Todas as vítimas eram mulheres e crianças de uma mesma família, incluindo dez crianças com idades entre os 6 e os 15 anos, acrescentou a nota.

O Ministério da Defesa afegão disse à agência de notícias francesa AFP que abriu a sua própria investigação sobre o ataque, cujas "conclusões ainda não estão disponíveis".

"Estamos a analisar qualquer informação operacional, relevante e confiável sobre as nossas operações em Wardak, incluindo as fornecidas por nossos parceiros afegãos", disse à AFP um porta-voz do exército norte-americano no Afeganistão, Grant Neeley.

"Não é incomum os rebeldes usarem essas acusações para criar uma lacuna entre o exército e a população", declarou Neeley.

Um correspondente da AFP entrevistou um aldeão que disse ter perdido duas irmãs no bombardeamento.

"Por volta das 21:00 (hora local), várias bombas foram lançadas na aldeia e uma atingiu a nossa casa. Três outras casas foram afetadas e mais de doze pessoas morreram ", disse o aldeão.

Na terça-feira, a UNAMA divulgou que abriu uma investigação sobre a morte de nove civis, incluindo quatro crianças e três mulheres, durante um bombardeamento militar liderado pelos Estados Unidos na província de Kapisa, no nordeste do país.

Outras seis pessoas ficaram feridas, acrescentou a missão da ONU, que cita “múltiplas e credíveis denúncias”.

Todas as vítimas pertenciam à mesma família, “incluindo avós e crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 12 anos”, precisou a mesma nota informativa da missão, que também expressou a sua preocupação perante “o crescente número de vítimas civis” na sequência de ataques aéreos no Afeganistão.

O incidente ocorreu durante operações realizadas por forças pró-governamentais contra os talibãs.

Um porta-voz do exército norte-americano no Afeganistão, David Butler, reconheceu que "a coligação militar realizou operações aéreas em apoio do exército afegão sob fogo”.

“O alvo foi eliminado, os insurgentes que atiravam contra os nossos parceiros foram mortos. (…) Apenas os rebeldes”, salientou o representante.

Um inquérito sobre esta situação conduzido pelas forças norte-americanas concluiu que nove insurgentes tinham morrido durante a operação militar.

O exército dos Estados Unidos tinha referido anteriormente que tinha atuado em “legítima defesa” depois de um helicóptero norte-americano ter sido alvo de um ataque perpetrado por uma milícia local.

Os seis membros da tripulação do helicóptero acabaram por sofrer ferimentos e foram tratados num hospital norte-americano.

Nos primeiros seis meses do ano corrente, os ataques aéreos em território afegão provocaram 149 mortos e 204 feridos, o que representou um aumento de 52% em comparação com o mesmo período de 2017, segundo a UNAMA.

A ONU atribui 52% destas mortes ao exército afegão, 45% às forças militares internacionais (lideradas pelos Estados Unidos) e 3% às forças pró-governamentais.

Cerca de 7% das vítimas civis registadas no conflito afegão durante o primeiro semestre de 2018 são atribuídas a operações aéreas.

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