Num comunicado publicado na segunda-feira, a empresa explicou que considera "incompatível com seus valores" que os seus produtos sejam vendidos "nos territórios ocupados da Palestina", conta o The Guardian. A Ben & Jerry’s vende em Israel desde 1987 e o atual contrato termina em 2022.

A decisão foi criticada por vários políticos israelitas, entre eles o primeiro-ministro Naftali Bennett. "Gelados há muitos, país só temos um. A Ben & Jerry’s decidiu denominar-se como anti-Israel. Esta é uma decisão moralmente errada e acredito que acabará por ser um erro comercial", escreveu no Twitter. Por sua vez, o presidente de Israel, Isaac Herzog, declarou a decisão da empresa de gelados como "um novo tipo de terrorismo".

Todavia, os israelitas nestas regiões não se mostram particularmente incomodados. Em Efrat, ao sul de Belém, Renay Hersh, originário de Los Angeles, dá a sua opinião. "É um movimento pró-palestiniano, um movimento anti-Israel", diz à porta de um supermercado. "Por que motivo devemos ceder? É só gelado", atirou.

Asher Goodman, de 29 anos, assumiu o negócio de família, um restaurante, quando o pai morreu há quatro anos. "O meu pai veio de Nova Iorque e comprou Ben & Jerry's para Gush Etzion [um aglomerado de assentamentos] há 30 anos", explicou. "É um grande vendedor para nós, faz parte do estilo americano", acrescentou.

"Os israelitas adoram Ben & Jerry's. Este é um problema nacional que não diz respeito apenas à Judeia e Samaria. Vamos continuar a vender", garantiu.

Contudo, a Ben & Jerry's não é a única a tomar uma posição nestes territórios. No início deste mês, a gigante de equipamentos de telecomunicações Motorola e o dono da franquia israelita McDonald's recusaram-se a estabelecer negócios em comunidades de assentamentos.

Apesar de ser comum, o governo tem vindo a combater estes casos. Quando a Airbnb tomou uma ação semelhante em 2018, a empresa foi atingida por ações judiciais nos Estados Unidos e em Israel, alegando discriminação — o que levou a um passo atrás na decisão, cinco meses depois.

"Se uma empresa disser que não vai mais fazer negócios nos assentamentos, outra aparecerá para substituí-la. Mas a Ben & Jerry's é um caso interessante porque é tão popular: esta decisão atinge todas as famílias em Israel", disse Hagit Ofran, diretor da equipa de vigilância dos assentamentos do movimento Peace Now.

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