Três anos após ser celebrada a posição conjunta que fez cair o Governo PSD/CDS-PP, em entrevista à Lusa, a líder parlamentar do PEV, Heloísa Apolónia, vincou que os socialistas a solo não teriam "feito metade daquilo que se conseguiu" e renovou o empenho em fazer o papel de "corda a puxar o PS para aquilo de que o país precisa".

"Temos sido aqui, digamos assim, uma corda a puxar o PS para aquilo de que, de facto, o país precisa. Poderíamos ter ido mais longe. A obsessão do PS não permitiu que isso acontecesse, mas cá estaremos, a legislatura ainda não acabou", disse.

A deputada ecologista afirmou que o entendimento com o PS em 10 de novembro de 2015 ficou marcado, "logo nas conversações iniciais", por ser "muito claro" que era impossível "construir um programa de Governo conjunto" e a "solução" foi atribuir ao executivo socialista "alguns compromissos mínimos que teria mesmo de cumprir".

"Uma coisa posso garantir, se o PS estivesse sozinho no Governo, sem este compromisso com componentes de esquerda da Assembleia da República, não teria feito metade - posso assegurar - daquilo que se conseguiu construir ao nível de investimento em serviços públicos, reposição de rendimentos e impostos. Nas negociações com o PS, muitas vezes, o PS procurou travar os próprios compromissos que tínhamos assumido e nós tivemos que bater o pé a dizer que não poderia ser", relatou.

Contudo, Os Verdes continuam a considerar positivo que se tenha assinado essa posição conjunta, no sentido em que se estabeleceu um conjunto de compromissos mínimos que tinham necessariamente de ser cumpridos nesta legislatura, designadamente naquilo que se reporta à reposição de rendimentos das famílias, mas também diminuição de impostos relativos ao trabalho e também em muitas outras coisas que se relacionam com as questões de mobilidade, transporte, ferrovia, floresta".

"Se me diz assim: está 100% satisfeita com o trabalho realizado nestes três anos?... a resposta é ‘obviamente que não' porque poderíamos ter ido muito mais longe, havia condições para que tivéssemos ido muito mais longe... poderíamos ter sido muito mais ambiciosos, mas, infelizmente, o PS tem uma obsessão clara da qual não se consegue desvincular, com os números do défice, e isso constitui um travão muito grande às inúmeras propostas que Os Verdes têm de desenvolvimento para o país", lamentou.

Sobre uma eventual reedição do acordo, sob a mesma fórmula ou outra, em virtude dos futuros resultados das eleições legislativas de 2019, Heloísa Apolónia assumiu que o PEV se encontra aberto a essa hipótese, desde que seja em prol de "soluções positivas para o país".

"Nunca poderemos fazer futurologia certa relativamente a essa matéria. Os Verdes estarão sempre disponíveis para encontrar soluções positivas para o país. A nossa mão na Assembleia da República estará sempre pronta para encontrar soluções positivas para o país. Tudo aquilo que considerarmos que é negativo, evidentemente nunca poderemos dar o nosso voto favorável, seja qual for a solução que estiver encontrada", concluiu.

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