"A política partidária tomou conta realmente do Governo. E depois vemos velhos hábitos regressarem, daqueles que gostaríamos que não existissem: a falta de coragem a governar. O governo não consegue assumir publicamente as medidas que toma. Isto é gritante na política orçamental", afirmou o líder social-democrata.

Pedro Passos Coelho, que falava em Castelo Branco no encerramento da Convenção Autárquica do PSD local, adiantou que o Governo liderado por António Costa, disse que tinha uma estratégia orçamental para diminuir o défice e que não precisava de um "plano b".

"Já esta semana deixei muito claro que esse ‘plano b' foi executado mas o Governo não tem a coragem de o divulgar ou de o admitir. Quando o Governo que eu presidi teve que tomar medidas difíceis, fui o primeiro a comunicá-lo para que as pessoas soubessem o que estávamos a fazer e porque estávamos a fazê-lo. Nunca me escondi atrás de ninguém", sublinhou.

Segundo o líder do PSD, hoje há quem considere uma "habilidade bem sucedida" o facto de o primeiro-ministro e até os seus ministros, furtarem-se a explicar ao país o que decidem.

E, como exemplo, explicou que uma parte do esforço de contenção do Orçamento resulta daquilo a que chamaram de "cativações permanentes".

"Isto em bom português não existe: é um contrassenso total. Uma cativação permanente é igual a corte. Se é permanente, é um corte. Não é cativação nenhuma", sustentou.

Segundo Passos Coelho, há outros vícios que estão de regresso, como o não pagamento aos fornecedores: "O aumento do pagamento a fornecedores tem sido constante e então no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é preocupante".

"Temos portanto mais dívida que está a crescer, uma que não está reconhecida: enquanto as faturas andam de um lado para o outro e enquanto a coisa anda para trás e para a frente não existe. É uma habilidade boa que nos vai dar imensa saúde para futuro", ironizou.

Adiantou ainda que ao olhar para as políticas seguidas ao longo do último ano, o país está a dar uma perspetiva de que está a perder oportunidade e a mostrar aos agentes económicos e investidores que dá pouca importância aquilo que é estrutural e permanente e que concentra a sua ação no curto prazo.

"Se a história nos mostra que cada vez que olhamos apenas para o dia que estamos a viver e nos esquecemos do futuro, isso acaba sempre por representar um retrocesso, porque é que repetimos a experiência?" - questionou.

Contudo, Passos Coelho diz-se convicto que esta experiência não era desejada pelo país. Mas, uma vez que foi aquela que foi assumida pelos partidos políticos no Parlamento, espera dar resposta, a seu tempo, perante o país e os portugueses quando houver eleições.

"Se hoje nos esquecermos muito do futuro, quisermos viver em excesso um presente que não está devidamente consolidado, isso mais tarde ou mais cedo, acabará por nos trazer menos boas notícias", sustentou.

O líder do PSD disse ainda que não entra em leilões populistas: "Ninguém está a olhar para as sondagens para saber se devemos oferecer mais disto ou daquilo".

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